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França

Estrasburgo se torna primeira cidade da França a proibir cigarro em parques

media A partir de 1° de janeiro de 2019, quem desrespeitar a proibição de fumar em parques e jardins de Estrasburgo poderá ser punido com uma multa de € 68 (cerca de R$ 296). SEBASTIEN BOZON / AFP

A prefeitura da cidade de Estrasburgo, no nordeste da França, tomou uma decisão inédita no país: proibir o consumo do cigarro em parques e jardins públicos. Com a medida, as autoridades locais esperam contribuir com a diminuição do número de fumantes e melhorar a limpeza nos espaços verdes.

Elaborado em parceria com a associação francesa Liga Contra o Câncer, o plano entrou em vigor no domingo (1°). Com a medida, placas lembrando os habitantes de Estrasburgo sobre a proibição de fumar estão sendo instaladas nos parques e jardins públicos da cidade. A partir de 1° de janeiro de 2019, quem desrespeitar a decisão poderá ser punido com uma multa de € 68 (cerca de R$ 296).

O objetivo, no entanto, não é penalizar a população, salienta o subprefeito de Estrasburgo, encarregado da saúde pública, Alexandre Feltz. “Não queremos absolutamente estigmatizar os fumantes, até porque 50% dos consumidores de tabaco na França desejam parar de fumar. Pretendemos banir o tabaco dos espaços verdes para construirmos uma geração mais saudável”, afirma.

Em entrevista à RFI, Feltz lembrou que junto à proibição, a prefeitura coloca em prática uma estratégia de sensibilização. Assim, dentro de breve, mediadores de saúde especialistas em cigarro realizarão um trabalho de acompanhamento e informação dos frequentadores dos parques e jardins de Estrasburgo.

Forte apoio da população

A medida conquistou a opinião pública – 71% dos não fumantes e 57% dos fumantes de Estrasburgo são favoráveis à proibição do cigarro nos parques. Quem também elogiou o plano foi a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, lamentando que seu ministério não tenha nenhum projeto similar no momento. “Fumar nos parques provoca dois problemas: a exposição de crianças a pessoas que fumam, favorizando a entrada delas no tabagismo”, e, além disso, “as bitucas são uma fonte de poluição imensa”, lembrou.

A ministra tem razão. De acordo com Emmanuel Ricard, delegado para a prevenção e a promoção da despistagem da Liga Contra o Câncer, “as crianças que veem as pessoas de sua família fumarem têm maiores chances de se tornarem fumantes no futuro”. Por isso, a prioridade da iniciativa de Estrasburgo é evitar expor cada vez menos os menores ao tabaco, ainda que nos playgrounds dos parques de toda a França o consumo do cigarro já seja proibido.

Foco na saúde e no meio ambiente

O vício no tabaco é um dos maiores desafios de saúde pública na França, onde 25% da população é fumante e cuja metade morre prematuramente. Por ano, o tabagismo é responsável pela morte de 78 mil pessoas – 20 vezes mais do que os acidentes nas estradas.

No plano ambiental, os restos de cigarro jogados nas ruas levam 12 anos para se decompor. As bitucas contêm mais de sete mil componentes químicos tóxicos, entre eles, perturbadores endócrinos e cancerígenos. Além disso, elas vão parar nos lençóis freáticos dos rios: uma única bituca pode poluir até 500 litros de água.

Em uma operação realizada em abril em Estrasburgo, 70 mil bitucas foram recolhidas das ruas em um período de apenas 2 horas. Nas outras cidades da França, a situação não é diferente. Em Paris, por exemplo, 350 toneladas de restos de cigarro são jogadas no chão por ano.

Estratégia nacional

A Liga Contra o Câncer fez o pedido ao governo francês que a proibição do cigarro nos parques faça parte de uma estratégia nacional da luta contra o tabaco, mas, diante da demora do Ministério da Saúde para estabelecer e colocar medidas em prática, a associação tem trabalhado diretamente com as prefeituras.

Embora Estrasburgo seja a primeira cidade a proibir o cigarro nos parques, Emmanuel Ricard destaca iniciativas importantes em outras prefeituras, como Nice, no sul da França, que baniu o consumo de tabaco em uma praça e algumas praias, em 2012. Outras localidades seguiram o exemplo, como Bordeaux, Auxerre e Amiens. “A principal questão hoje é expandir essas iniciativas”, ressalta.

Depois de Estrasburgo, os esforços se concentrarão nas chamadas “Cidades-Saúde” da França - cem localidades do país onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) testa experiências e projetos-piloto. “Depois de aplicarmos a proibição do cigarro nos parques dessas cem cidades, nossa esperança é que o governo integre a medida à lei e generalize a iniciativa a todo o país”, conclui Alexandre Feltz.

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