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França

“Anitta é a maior artista pop brasileira atualmente”: cantora faz Trianon tremer em Paris

media Imagens de Anitta "Frida Kahlo" no telão Marcos Fernandes/RFI

Com a casa de shows Trianon lotada, Anitta colocou estrangeiros e brasileiros para mexer o corpo nesta terça-feira (26), em Paris. A cantora, que já tem o hábito de se apresentar em várias línguas, propôs um repertório diversificado, em inglês, espanhol e português, passando pelos hits "Bang", "Sua cara" e "Is that for me?".

Anitta matou a saudade dos brasileiros e dos franceses que visitaram ou moraram no Brasil, com diversas referências à música nacional que ia de clássicos como "Gostava tanto de você", de Tim Maia, à experimentações recentes como "Fica tudo bem", parceira sua com Silva.

Com algumas trocas de figurino, dançarinos bem coreografados e telão com referências à sua discografia e uma menção à Frida Kahlo, Anitta conduziu um show sem surpresas, mas com animação e carisma.

Anitta no palco do Trianon Marcos Fernandes/RFI

O público, agitado, fez o chão tremer – o clichê do europeu que não sabe requebrar até ficou esquecido e era difícil discernir quem dançava melhor: gringos ou brasileiros. É exatamente essa "magia" operada pelas canções de Anitta que agrada a francesa Raíssa, de 23 anos, que morou no Brasil por seis meses, onde conheceu o trabalho da cantora. "Gosto de suas músicas e de sua maneira de fazer um show. Acho que ela representa bem a ‘festividade’ da cultura brasileira”, declara.

Alice, franco-brasileira de 19 anos, acompanha o trabalho de Anitta desde o início, mas preferia quando a artista era menos "comercial". “Prefiro suas músicas antigas, era mais autêntico, e agora não é mais o que prefiro. Mas isso significa que sua carreira tem evoluído, o que é bom”.

A franco-brasileira Alice acompanhada da amiga francesa Maxence Marcos Fernandes/RFI

Exemplo de mulher batalhadora

O percurso de Anitta agrada tanto quanto sua música: para as francesas, ela é um exemplo de mulher "batalhadora", nascida num país machista e em uma família pobre, que conseguiu chegar a uma carreira de sucesso. “É uma mulher bem forte, em seus clipes ela mostra seu corpo, sua celulite, e não está nem aí para ninguém. É um bom exemplo para as mulheres”, afirma a jovem Caroline, 23 anos, que descobriu a cantora por meio de um amigo brasileiro. “Ela ainda não é suficientemente conhecida na França, mas merecia”.

As francesas Caroline e Carol, que descobriram Anitta por meio de um conhecido Marcos Fernandes/RFI

Para Raíssa, o fato de que Anitta “é uma das maiores artistas brasileiras contemporâneas” faz dela um ícone feminino. “Se pensamos na música pop brasileira, não há ninguém acima de Anitta. E quanto ao funk, temos apenas MC isso, MC aquilo, e ela se destaca no meio dos homens.”

Raíssa discorda completamente da comparação do jornal Le Monde, para quem Anitta é a "Beyoncé carioca". "A coreografia de Anitta dá pra ser imitada em casa, a de Beyoncé não. Me desculpe, Anitta, mas Beyoncé é Beyoncé", brinca, acrescentando que instigar a disputa feminina no meio artístico não faz sentido. "Temos que parar de comparar as cantoras cada vez que surge uma nova. Rihanna não é Beyoncé, assim como Anitta também não.”

As francesas Raíssa e Sophie, que fizeram intercâmbio no Brasil Marcos Fernandes/RFI

Matando a saudade do Brasil

A maior parte dos estrangeiros com quem a RFI conversou já visitou ou morou no Brasil, e a música de Anitta é uma forma de reencontrar o clima tropical na nublada capital francesa. Além daqueles que, claro, sonham em conhecer o país e se inspiram nas músicas da cantora para ter uma ideia do que os aguarda.

Matteo, italiano de 22 anos, descobriu o trabalho de Anitta enquanto morava no Brasil com as amigas francesas Mathilda, 22, e Lou, 21. Os três vieram ao show com a esperança de matar a saudade do país e embarcar no ritmo quente da cantora. “O funk se tornou uma música popular no Brasil atualmente, então acredito que as canções de Anitta refletem uma parte da cultura brasileira”, afirma Matteo.

“Faz bem para o coração poder reencontrar o Brasil em Paris. Vamos requebrar muito e nos divertir, é por isso que estamos aqui”, ressalta Mathilda. Tommy, de 28 anos, conta que descobriu Anitta numa viagem ao carnaval do Rio de Janeiro, onde ele ouvia as músicas da cantora “cinco vezes por dia”. “Para uma jovem de 25 anos, ela consegue se virar bem. Hoje queremos relembrar nossas férias no Brasil e dançar bastante”, afirma.

O francês Tommy com os amigos que o acompanharam ao carnaval do Rio de Janeiro Marcos Fernandes/RFI

Feminismo de Anitta é válido no contexto brasileiro

Com relação ao “feminismo” atribuído ao trabalho de Anitta, Mathilda critica o fato de que muitas militantes podem não concordar com a sexualização do corpo nos clipes da artista, mas lembra que, no contexto brasileiro, as performances da cantora podem ser vistas como uma forma de ativismo.

“É um feminismo que vimos muito no Brasil, que difere do feminismo francês. É apenas uma questão de ponto de vista, cada um vive sua feminidade como quer”, acrescenta. A estudante Lou, que afirma ter ido ao show para “rebolar”, tem a mesma opinião: “Tem tudo a ver com o Brasil, acredito que representa a concepção feminista brasileira, de expor seu corpo e não ter medo de mostrá-lo”.

Trianon tremeu com som de Anitta Marcos Fernandes/RFI

Anitta trouxe à Paris sua evolução e seu histórico de luta (o aprendizado de outras línguas, por exemplo, faz parte de seu crescimento como artista). Entre os estrangeiros de seu show na França, a cantora ainda tem um público restrito, mas a faixa etária de jovens como Janine, de 17 anos, e Eva, de 16, que descobriram a cantora por conta própria enquanto navegavam no YouTube, talvez aponte para um futuro ainda mais glorioso para a artista.

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