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França

“Laicidade francesa não é luta contra religião”, diz Macron em Roma

media Papa Francisco recebe o presidente francês para cerimônia no Vaticano, em 26 de junho de 2018. Alessandra Tarantino/ Pool via Reuters

Em um inesperado discurso de 20 minutos para a comunidade católica reunida em Roma, nesta terça-feira (26), o presidente francês enfatizou seu apego ao secularismo, como é chamada a laicidade francesa: "Dou importância a este aspecto especial, fruto da nossa história e perfeitamente compatível com a França contemporânea".

Segundo Emmanuel Macron, "a história da França mostra que a República construiu sua história de modo especial com todas as religiões, e eu diria mais especificamente com a Igreja Católica”. Para o presidente francês, que discutiu a questão com o papa argentino nesta terça-feira, o secularismo [laicidade] "não é a luta contra a religião, esta é uma má interpretação, [o secularismo] é uma lei de liberdade".

"É a liberdade de acreditar e não acreditar", continuou ele, "desde que todos, independentemente de religião ou convicção filosófica, estejam totalmente sob as leis da República", acrescentou. "A separação da Igreja e do Estado é um reconhecimento de uma ordem temporal e de uma ordem espiritual", definiu o presidente francês, que acabara de tomar posse após uma cerimônia religiosa na basílica de São João de Latrão, uma tradição que remonta ao rei Henrique IV.

"A laicidade não é uma espécie de pudor contemporâneo que prega não falar sobre religião, ou esconder a religião, uma crença que não se pode ver. A laicidade está em toda parte na sociedade, e temos necessidade, antropológica, antológica, e metafísica dela", lembrou Macron. "Alguns encontram essa necessidade em convicções filosóficas, outros em um alegado agnosticismo", observou ele, acrescentando que "minha presença aqui atesta isso”, ressaltou. Ele destacou ainda o fato de que “a França é um país onde a crítica das religiões é possível, onde a blasfêmia é possível".

Críticas à Ong alemã

Emmanuel Macron aproveitou para dizer que a França vai receber, juntamente com outros países europeus, parte dos imigrantes que estão a bordo do navio humanitário "Lifeline", bloqueado na costa de Malta.

Segundo Macron, "tratam-se de várias dezenas de indivíduos por país de acolhida”. O presidente francês criticou também a Ong alemã Lifeline, por ter "violado todas as regras e a guarda costeira da Líbia" e "feito o jogo dos contrabandistas".

"Não podemos aceitar essa situação a longo prazo porque, em nome do humanitário, significa que não há mais controle algum, no final, fazemos o jogo dos contrabandistas, reduzindo o custo dos riscos da passagem", afirmou Macron.

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