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França

Quase 80% das abelhas francesas não resistiram ao inverno: pesticidas podem ser a causa

media Apicultor do sul da França mostra suas abelhas mortas. AFP PHOTO / RAYMOND ROIG

Depois de um inverno rigoroso para as abelhas, os apicultores franceses protestaram nesta quinta-feira (7) em várias cidades da França para reivindicar ajuda do governo e um ambiente mais favorável para os insetos polinizadores. Com o apoio de um convidado surpresa: o ministro do Meio Ambiente, Nicolas Hulot.

A questão é crítica para agricultores e população na França. As taxas de mortes de abelhas no país, após o inverno, não deveriam exceder os 5%. No entanto, em algumas regiões francesas, o índice de insetos polinizadores mortos chega a catastróficos 80%. Um estudo publicado no fim de 2017, que analisou diversas zonas protegidas, constatou que cerca de 75% dos insetos voadores desapareceram da Europa ocidental devido à intensificação de áreas ágricolas, com uso de pesticidas.

O agrotóxico afeta o sistema imunológico das abelhas, que não resistem às estações mais frias. Sem os insetos polinizadores, o ecossistema não sobrevive. Um dos resultados mais visíveis desta catástrofe ecológica na França é a diminuição radical da produção de mel, que passou, segundo o Sindicato Nacional da Apicultura Francesa (Unaf), de 32 mil toneladas a 10 mil toneladas por ano.

Na Esplanada dos Inválidos em Paris, apicultores de Ile-de-France, Bretanha e Dordonha prestaram, nesta quinta-feira, ao lado de colméias e "caixões", uma última homenagem simbólica a seus enxames, que não conseguiram sobreviver ao inverno de 2017-2018.

"Devemos salvar a apicultura nacional e acabar com esta hecatombe", disse François Le Dudal, um jovem apicultor da Bretanha. "Coração, coragem e trabalho agora!", exortou o jovem durante a falsa cerimônia fúnebre, com apicultores vestindo suas roupas de trabalho, macacões brancos e bonés de proteção. "Devemos parar de adiar a solução deste problema que tomou uma proporção tão grande que, em algumas regiões, a apicultura não é mais viável", disse Gilles Lanio, presidente da Unaf.

Ministro da Ecologia deseja encontrar soluções rápidas para o problema

Os apicultores ainda não calcularam precisamente suas perdas. Convidado surpresa da manifestação de Paris, o ministro da Ecologia da França, Nicolas Hulot, disse que é preciso fazê-lo o mais rapidamente possível, para identificar "medidas de emergência" a serem tomadas. "Eu quero ser seu melhor mediador e embaixador", prometeu, num momento em que os apicultores não se sentem ouvidos pelo Ministério da Agricultura e apelaram diretamente para o presidente francês, Emmanuel Macron.

No final do dia, o Ministério da Agricultura disse em um comunicado que seus serviços "estabeleceriam um inventário preciso de mortalidade das abelhas em todo o território" para "avaliar os esquemas de intervenção mais apropriados".

Durante vários anos, os apicultores sofreram uma perda média de 30% de suas colmeias no inverno. "Hoje, chegamos a um marco adicional, com taxas de mortalidade que podem chegar a 40, 50 ou até 80%", revelou Lanio. "Eu tinha seis colmeias há dois anos, no ano passado apenas duas e hoje zero", disse Julien, apicultor amador no Drôme, que foi a Lyon para protestar em frente à prefeitura. Ele lamentou "a morte silenciosa das colmeias durante o inverno". "Meu avô fez apicultura por 30 anos e hoje ele desistiu", disse.

"Somos a única profissão agrícola a não receber ajuda", lamentou Olivier Fernandez, presidente do Sindicato dos Apicultores de Midi-Pirineus, presente em uma manifestação em Toulouse.

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