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França

França e clandestinos heróis: a história nem sempre tem final feliz

media O jovem Mamoudou Gassama obteve um visto depois de salvar uma criança pendurada na janela em Paris GERARD JULIEN / AFP

A proeza do jovem Mamoudou Gassama, o “homem-aranha” que escalou quatro andares para salvar um menino pendurado em uma sacada, comoveu o mundo. Graças a seu feito, o malinês obteve a nacionalidade francesa e foi recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Esse não é sempre o caso, como conta o jovem Aymen, prestes a ser expulso da França.

O depoimento do tunisiano que vive em Fosse, na região parisiense, foi publicado neste domingo (3) no site do jornal Le Parisien. Nesta segunda, o jornal Le Monde retomou a história para discutir até que ponto a viralização de um vídeo no You Tube e sua midiatização, podem, nos dias de hoje, influenciar diretamente o destino de seres humanos.

Não basta ser herói, tem que viralizar? Existe uma “hierarquia dos atos de bravura?”, questiona a imprensa francesa. Por que Aymen, um imigrante ilegal de 25 anos que chegou à França em 2013, está sendo ameaçado de expulsão do território, se graças a ele duas crianças foram salvas de um incêndio há três anos?

Em abril de 2015, em Fosse, o tunisiano e dois amigos retiraram uma criança de 19 meses e outra de cinco anos de um apartamento tomado pelas chamas. Elas estavam presas no quarto. Foi a mãe dos meninos que veio pedir ajuda. “Subimos na hora para buscar as crianças”, conta. "Elas estavam no quarto, juntas”, descreve Aymen.

“Falta de sorte por não ter sido filmado”

Depois do resgate, os três heróis anônimos seguiram seu caminho e só reapareceram porque a mãe dos meninos insistiu em reencontrá-los. Pelo ato heróico, Aymen e os dois amigos receberam uma medalha do prefeito da cidade.

Dois anos mais tarde, o jovem, que tem um diploma na área de computação, recebeu uma notificação da Secretaria de Segurança Pública para deixar o território. Nem mesmo intervenção do prefeito da cidade de Fosses, que citou a proeza de Aymen e pediu que as autoridades francesas reavaliassem a situação, ajudou o jovem imigrante.

Ao jornal Le Parisien, a advogada de Aymen fez um apelo: “Peço ao presidente da República que me receba e explique como hierarquizar os atos de bravura”, declarou. “Que falta de sorte não ter sido filmado”, resume o jovem tunisiano.

 

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