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França

Acusada de terrorismo, francesa é condenada à prisão perpétua no Iraque

media Mélina Boughedir carrega uma das filhas durante o primeiro processo no Iraque, em fevereiro de 2018. STRINGER / AFP

A Justiça iraquiana condenou neste domingo (3) a francesa Mélina Boughedir à prisão perpétua, acusada de pertencer ao grupo Estado Islâmico. A mulher, de 27 anos e mãe de quatro filhos, corria o risco de pegar a pena de morte, por se juntar à organização terrorista. Três dos filhos dela já voltaram para a França e a mais nova permanece com a mãe.

Esta foi a segunda vez que a francesa se submeteu aos tribunais iraquianos. Em um primeiro julgamento, sob a acusação de “entrada ilegal no Iraque”, ela quase foi libertada. Mas neste domingo, a Justiça a condenou a ficar o resto da vida na prisão, com base na lei antiterrorista em vigor no país.

A legislação rigorosa prevê até a pena capital para certos crimes terroristas, como foi o caso do belga Tarik Jadaoun, condenado à morte há duas semanas em Bagdá. Boughedir é a segunda francesa a ser sentenciada à prisão perpétua no Iraque – a primeira foi Djamila Boutoutaou, julgada há menos de dois meses.

Enganadas pelos maridos

As duas alegam ter sido convencidas pelos maridos a ir para o país. Os companheiros de ambas estão desaparecidos.

“Eu sou inocente. Meu marido me enganou e, depois, me ameaçou de partir com os meus filhos”, alegou Boughedir, em francês, no tribunal iraquiano. “Eu sou contra as ideias do Estado Islâmico e condeno os atos do meu marido”, argumentou.

Ela foi detida em 2017 em Mossul, a “capital” do autoproclamado califado do grupo extremista durante três anos, até a retomada da cidade pelas forças iraquianas, em julho do ano passado. A mulher afirma não ter mais notícias do marido, que nunca mais teria retornado depois de “sair para buscar água”. Segundo a acusada, eles se casaram há cinco anos.

Retorno dos jihadistas

Os advogados de Boughedir acusam Paris de tentar evitar a qualquer custo o retorno de cidadãos franceses que se uniram ao grupo terrorista no Iraque ou na Síria. A família dela luta para que a francesa seja julgada em seu país.

Na quinta-feira (31), o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, descreveu a mulher como “uma terrorista do grupo Estado Islâmico que combateu contra o Iraque”. Le Drian pediu para que ela fosse julgada no Iraque, mas reiterou ser contrário à pena de morte.

Ao comentar o caso nesta manhã, Christophe Castaner, líder do partido República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, afirmou que "a justiça iraquiana é legítima e tomou a sua decisão".

Com informações da AFP

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