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França

Em Cannes, atrizes negras francesas pedem visibilidade e igualdade

media Atrizes negras e mestiças francesas pedem mais visibilidade no cinema francês. Patricia Moribe/RFI

Cansadas de serem invisíveis num país que colonizou e escravizou durante séculos, um coletivo de atrizes francesas negras e mestiças divulgam em Cannes uma coletânea de experiências e pedem mais espaço na mídia. “O que defendemos é a igualdade”, diz Aïssa Maïga, à frente do projeto editorial.

Um dia depois de causar alvoroço na escadaria do Festival, com muitos sorrisos e alegria, na sessão de gala do filme sul-coreano Burning, de Lee Chang Dong, o coletivo Diaspora recebeu na manhã desta quinta-feira (17), em Cannes, jornalistas do mundo todo para falar de seus objetivos

A bandeira do coletivo é o livro Noire n’est pas mon métier, que pode ser traduzido como “ser negra não é minha profissão”, uma ideia da atriz Aïssa Maïga. Ela e outras 15 colegas de profissão - Sonia Rolland, Nadege Beausson-Diagne, Mata Gabin, Maïmouna Gueye, Eye Haïdara, Rachel Khan, Sara Martins, Marie-Philomène Nga, Sabine Pakora, Firmine Richard, Magaajyia Silberfeld, Shirley Souagnon, Assa Sylla, Karidja Touré e France Zobda – juntaram relatos de resiliências e lutas cotidianos para poderem exercer a profissão de atriz na França.

Atrizes negras e mestiças francesas pedem mais visibilidade no cinema francês. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Insultos cotidianos

“Ainda bem que seus traços são finos”. “Mas você não é negra o bastante para fazer uma africana". "Mas você é negra demais". “Você fala africano?”. Frases que elas citam, que elas ouvem todos os dias. Há também relatos de assédios, de humilhações. Mas de muita resistência também.

Aissa Maïga, Cannes 2018. ©Anthony Ravera/RFI

“Estamos em 1996. Na minha cidade, Paris, os negros estão em todos os lugares. Mas em nenhum lugar no cinema”, escreve Maïga no livro. “Queriamos ser ouvidas, como mulheres, como atrizes, cidadãs, mães. O que defendemos é a igualdade. Foi preciso chegar a esta plataforma que é Cannes, mas para nós é apenas uma etapa”, disse a atriz à RFI.

Firmine Richard, 70 anos, veterana do grupo, lembra de tantas jovens que conheceu pelo caminho, que queriam ser artistas, mas acabaram desistindo pelos obstáculos da cor. “Tive sorte, reconheço, mas acho que também talento, pois estou há 30 anos na profissão”, diz a atriz, que foi descoberta por acaso, num restaurante, aos 40 anos, por Coline Serreau, diretora de Romuald et Juliette, que buscava uma atriz negra para fazer par romântico com Daniel Auteuil. Firmine também foi uma das Oito Mulheres, de François Ozon, ao lado de nomes como Catherine Deneuve e Isabelle Huppert.

Firmine Richard, Cannes 2018. ©Anthony Ravera/RFI

Belo e mestiço como o Brasil

 “É um livro maduro, conheço Aïssa Maïga há 20 anos, são temas que sempre debatemos”, diz a atriz e produtora Rachel Khan. “Assim como o Brasil, vivemos num país bonito por causa da mestiçagem. Mas no momento em que queremos entrar no prédio, somos barradas. Infelizmente ainda há produtores e diretores que acham que colocar negros no elenco pode prejudicar o filme”, acrescenta.

“Não tivemos modelos”, diz a atriz France Zobda. “Virei produtora justamente para favorecer a visibilidade da diversidade e mostrar que não estamos sozinhas”, explica.

 

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