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França

Jornal francês vê palestinos de Gaza tratados como animais por Israel e EUA

media Manchetes do jornal Libération e Le Figaro nesta terça-feira (15): uma embaixada e um massacre, diz a manchete do Libération. Fotomontagem RFI

A imprensa francesa dedica seus editoriais ao conflito israelo-palestino, mais intrincado do que nunca após a inauguração, nesta segunda-feira (14), da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém e da repressão violenta a manifestantes palestinos na Faixa de Gaza.

O jornal Libération coloca o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lado a lado na balança: "dois provocadores incendiários", enquanto os moradores de Gaza são tratados como "animais selvagens, encurralados entre o mar e barreiras de arame farpado, sem água nem trabalho".

Os palestinos de Gaza não têm nada a perder e não serão os apelos de paz de Trump que irão acalmá-los, destaca o jornal de esquerda. Segundo a publicação, "só alguém de uma arrogância desmesurada e de um cinismo absoluto para ousar pronunciar a palavra 'paz' depois de atear fogo nos territórios palestinos".

O diário católico La Croix diz que a responsabilidade de buscar uma saída ao conflito é dos parceiros internacionais e não ficar jogando lenha na fogueira, como fez Trump ao transferir a embaixada americana para Jerusalém. O jornal católico também critica a posição confortável do republicano, que "sem assumir nenhum risco deixa para as populações dos dois lados da fronteira a árdua tarefa de superar o conflito".

Franco-atiradores atingem idosos e crianças

Le Figaro publica uma foto edificante de um idoso palestino sendo socorrido depois de ser baleado nas pernas por um franco-atirador israelense. O jornal conservador destaca a condenação mundial diante da reação desproporcional de Israel, evidenciada pelo elevado número de mortos, incluindo oito crianças.

Le Figaro observa que, depois dos Estados Unidos, outros países vão seguir os passos de Trump, como já anunciaram o Paraguai e a Guatemala. Países europeus antimuçulmanos podem seguir o movimento, entre eles República Tcheca, Romênia e Hungria.

Mas o que causa mais impacto nesta terça-feira (15) é a condenação unânime ao banho de sangue. Jornais, rádios e TVs criticam o fato de Israel ter usado armas de fogo e não balas de borracha para dispersar a manifestação dos palestinos, que sequer estava próxima da fronteira no momento em que a repressão pesada foi lançada.

Vários repórteres franceses que acompanhavam o protesto em Gaza relataram que os manifestantes estavam a 100 metros da fronteira quando o Exército israelense efetuou disparos ininterruptos, provocando o banho de sangue que matou 60 pessoas e deixou mais de 2.500 feridos.

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