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Juntar lixo durante a corrida: quando o esporte ajuda o planeta

Juntar lixo durante a corrida: quando o esporte ajuda o planeta
 
O fisioterapeuta Nicolas Lemonnier começou a sair para correr com um um sacola para recolher a sujeira na rua. Arquivo pessoal/ RFI

Os adeptos da corrida costumam encerrar o percurso animados, embriagados de endorfina e satisfeitos pelas calorias perdidas. E se além dessas sensações de bem-estar, houvesse um resultado concreto para mostrar, um pequeno gesto a favor do planeta? É o que propõe o grupo francês Run Eco Team: cada corrida, um lixo recolhido. A iniciativa alia esporte e ecologia, e ainda é sucesso garantido nas redes sociais.

Tudo começou com uma ideia singela do fisioterapeuta Nicolas Lemonnier. Ele adotou a corrida para manter a forma há três anos e logo percebeu que, pelo caminho das ruas de Nantes, desviava sem parar de uma garrafa plástica aqui, um pacote de cigarros ali. Começou então a levar uma sacola para recolher o lixo que encontrava pela frente e, ao terminar a atividade, postava no Facebook uma foto com o balanço do dia. A receptividade foi imediata.

“Em três meses, já éramos quase 800 corredores, de 23 países do mundo. A progressão foi bastante impressionante”, relembra o francês. “E sete meses depois, uma pessoa do Facebook me contatou para dizer que Mark Zuckerberg tinha gostado do desafio que nós criamos. Ele queria então produzir um vídeo conosco, que ele postaria nas redes sociais. Ele não só postou como elegeu como a sua história preferida de 2016.”

Corredores fazem a limpeza em parque nos arredores da cidade francesa de Nantes,onde nasceu a associação. Arquivo pessoal/ RFI

Em um instante, os 100 milhões de usuários que curtem Zuckerberg tomaram conhecimento da iniciativa. Os pedidos para replicá-la nos cinco cantos do globo se multiplicaram a cada dia - ainda mais depois dos conselhos personalizados do criador do Facebook, que convidou o francês para uma visita à empresa, na Califórnia. Hoje, a Run Eco Team tem 50 mil membros em 103 países.

Lemonnier foi recebido pelo fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, na sede da empresa na Califórnia. Arquivo pessoal/ RFI

“É uma maneira positiva de ver a ecologia e qualquer um pode fazer esse pequeno gesto, no seu nível e na sua condição física, em qualquer lugar do mundo. Por exemplo, o orçamento para limpar o Central Park é de US$ 400 milhões por ano, e ainda assim tem lixo”, conta o fisioterapeuta, que não perde as férias nos Estados Unidos para se informar sobre o problema no país. “Ou seja, mesmo com todo o esforço dos serviços públicos, sempre há uma latinha jogada num canto. Acho que se todo mundo corresse pelo planeta, geraríamos um verdadeiro impacto positivo.”

Camisinha e absorvente feminino

Pelo caminho, os ecocorredores se deparam com todo o tipo de sujeira: das mais comuns até camisinhas usadas ou absorventes femininos, que nem todos ousam recolher. Até 200 participantes se apresentam para as corridas organizadas pelos grupos locais, de cerca de 7 quilômetros. Nos diferentes percursos somados, eles chegam a retirar 20 toneladas de lixo das ruas por semana.

Os trajetos costumam ser estrategicamente planejados para “proporcionar” um máximo de sujeira possível. A contagem do balanço de lixo recolhido é feita pelo aplicativo do Run Eco Team, que estima a quantidade de detritos a partir das fotos enviadas pelos usuários.

“Juntar uma ponta de cigarro pode parecer pouco, mas pode ‘salvar’ 500 litros de água que podem ser contaminados pelos poluentes do cigarro”, explica o idealizador. Ele relata que cada corredor tem as suas preferências. “Tem uns que decidem só juntar raspadinhas numa semana inteira, e, na seguinte, só latinhas de bebidas. Cada grupo, em cada país, decide a sua dinâmica própria. Percebemos que, diante da gravidade da poluição do planeta, somos todos de um mesmo país. Temos corredores no Brasil, no México, em Moscou, em Cingapura.”

Colocar Macron para correr

Por enquanto, o grupo brasileiro não é dos mais motivados: só tem três membros. Na vizinha Argentina, passam de 200. Como bom fisioterapeuta, Lemonnier aconselha os corredores a não negligenciar a postura na hora dos agachamentos.

“Só não pode se dobrar em dois e se abaixar com as costas. Tem que dobrar bem os joelhos, com a coluna reta, e assim você ainda reforça a musculatura das coxas”, explica. “Vira um exercício a mais na sua corrida habitual”, acrescenta.

Depois de conquistar o dono do Facebook, o próximo objetivo de Lemonnier é convencer o presidente francês, Emmanuel Macron, a correr por um mundo mais limpo. As negociações com o Palácio do Eliseu já estão em curso, afirma idealizador da associação.


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