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Revista revela bastidores de expulsão de espiões russos da França

Revista revela bastidores de expulsão de espiões russos da França
 
O que será que Macron e Putin conversaram nesse passeio pelos jardins de Versailles em 29 de maio de 2017? Reuters

A revista francesa L'Obs traz em sua edição semanal uma história de espionagem e contraespionagem envolvendo agentes russos e franceses que a publicação garante ser do conhecimento de pouquíssimas autoridades no país. "Ela diz tudo sobre a agressividade dos espiões de Vladimir Putin na França e a determinação de Emmanuel Macron de combatê-la com a maior habilidade e firmeza possíveis", escreve a L'Obs.

Em dezembro passado, o presidente francês foi informado pelo diretor do serviço de inteligência do Ministério do Interior (DGSI) sobre as atividades de cinco espiões russos trabalhando disfarçados de diplomatas em Paris. Um deles, conselheiro comercial da Embaixada da Rússia na capital, era vigiado há meses por ser um oficial altamente graduado do antigo KGB, o serviço secreto da ex-União Soviética, onde Putin também trabalhou.

Este espião russo estava tentando aliciar uma importante fonte do aparelho político-diplomático francês para se tornar um agente duplo e servir aos interesses do Kremlin, conta a revista L'Obs. Mas, percebendo a cooptação, o francês informou o Ministério do Interior, que pôde preparar uma armadilha e surpreender o ex-agente da KGB em flagrante delito. Os outros quatro espiões russos foram identificados juntos numa investigação envolvendo drogas em Paris.

Macron, que estava há sete meses no poder, teve de enfrentar uma difícil decisão. O que fazer com esses espiões de Moscou? Diplomatas franceses sabiam que o novo chefe de Estado tinha a intenção de restabelecer o diálogo com Putin. Por isso, eles recomendaram a Macron que minimizasse a situação dos cinco espiões russos. Sugeriram, inclusive, que ele fizesse como o ex-presidente François Hollande, que também viveu um episódio semelhante, e apenas advertiu o Kremlin que a França havia descoberto o espião disfarçado.

De acordo com a L'Obs, "Macron decidiu, como de costume, impor seu próprio estilo". O espião russo disfarçado de conselheiro comercial, considerado mais perigoso pela ligação com o antigo KGB e provavelmente com Putin, foi expulso sumariamente, em dezembro de 2017. No mesmo dia, a Rússia despachou de Moscou um espião francês também disfarçado de conselheiro comercial.

Os outros quatro russos, descobertos na investigação de drogas, receberam uma advertência para deixar a França o mais tardar até o verão de 2018, mas já foram embora, expulsos na retorsão dos Ocidentais depois do envenenamento de Serguei e Ioulia Skripal no Reino Unido. A Rússia, nesse momento, expulsou quatro diplomatas franceses, mas sem atividade de espionagem no país.

Bunker russo em Paris abriga "clandestinos"

Desde a invasão dos e-mails de colaboradores de sua campanha, Macron sabe que o número de espiões russos disfarçados de diplomatas em Paris é elevado. O serviço secreto francês ainda suspeita, conforme diz à L'Obs uma autoridade não identificada, que Moscou mantém dois ou três agentes não registrados morando na missão comercial russa perto do parque Bois de Boulogne, na zona oeste de Paris. Esses "clandestinos" foram descobertos após um controle feito nas entradas e saídas do estacionamento do prédio, que parece um bunker.

Sem saber ao certo o papel desses "ilegais" no aparato de espionagem russo, os franceses consideram que poderiam até ser assassinos profissionais, encarregados de identificar e matar traidores do Kremlin na Europa – como o ex-espião duplo Serguei Skripal.


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