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França

Jornais criticam tom agressivo da entrevista de um ano do mandato de Macron

media A Torre Eiffel serviu de moldura ao presidente Emmanuel Macron durante entrevista ao canal de BFMTV e ao site Mediapart. AFP/François Guillot

A entrevista de 2h40 do presidente francês, Emmanuel Macron, concedida ontem ao canal BFMTV e ao site investigativo Mediapart, é o principal assunto da imprensa francesa nesta segunda-feira (16). A entrevista, inovadora no formato, com dois jornalistas fazendo perguntas incisivas ao presidente, é descrita pelos jornais como "uma luta de boxe desagradável" para os telespectadores.

A entrevista de Macron rompeu com uma tradição na comunicação dos chefes de Estado franceses que dava, por sinal, uma péssima imagem para o jornalismo local. Até ontem, as sabatinas de presidentes franceses eram marcadas pelo comedimento dos jornalistas, uma postura de reverência ao mais alto cargo da República, que sequer permitia a contradição. Alguns analistas dizem que Macron quis copiar o modelo de debate mais agressivo da TV americana e britânica, mas o resultado deixou muita gente insatisfeita.

A primeira novidade foi a escolha dos interlocutores, dois jornalistas incisivos, Jean-Jacques Bourdin, do grupo BFM, e Edwy Plenel, fundador do Mediapart, feita pelo próprio presidente. Vestidos de maneira informal, sem terno e gravata, eles foram dispensados de usar o título de presidente ao se dirigir a Macron, chamando-o pelo nome completo. A proposta era fazer um balanço do primeiro ano de governo do centrista, mas virou "um combate viril entre três homens que interrompiam a fala um do outro", conforme descreveu o editorialista da rádio France Inter. A emissão teve ares de briga de galo.

Mais combativo do que convincente

Na quinta-feira (12), Macron já tinha concedido uma entrevista ao jornal de 13h do canal TF1, mas para outro público, principalmente aposentados e do interior do país. Nesse exercício, Macron não foi colocado contra a parede em nenhum momento e pôde defender seu programa de governo. Ontem à noite, em vários momentos, a troca de farpas entre os jornalistas e o presidente foi tão intensa, que mal se podia ouvir o que cada um tinha a dizer.

O jornal Libération, de esquerda, diz que Macron foi mais combativo do que convincente. Mesmo assim, o Libé concorda com a decisão de Macron de atacar a Síria, a fim de melhorar as condições de negociação com a Rússia e o regime de Damasco, visando proteger a paz mundial.  

Entrevista inútil, critica Le Figaro

O conservador Le Figaro considerou as 2h40 de entrevista "inúteis" para esclarecer as ações do governo aos franceses. "Bourdin e Plenel, autoproclamados professores de moral, aproximativos e agressivos em suas questões, estavam lá para fazer um processo contra o presidente", escreve o editorialista do Le Figaro. "Os jornalistas, entre insinuações e suspeitas, queriam a todo custo mostrar Macron como um presidente belicoso, amigo dos ricos e dos especuladores, um cúmplice daqueles que praticam a evasão fiscal. O tom foi insuportável e praticamente inútil para os franceses que, neste momento de descontentamento em relação às greves de ferroviários, estudantes, pessoal do judiciário e dos hospitais, esperavam ter mais esclarecimentos sobre a linha do governo", estima o diário.

O jornal L'Est Républican diz que "o jovem presidente rebateu as acusações de maneira impressionante, com um discurso muito bem ensaiado, em que rejeita ceder à tirania das minorias". "Macron só tem um problema: convencer seus compatriotas de que sua virtuosidade irá amanhã mudar a vida dos franceses", observa este jornal regional.

Editorialistas de rádio consideram que Macron esqueceu de falar ao público e esteve mais preocupado em mostrar sua autoridade diante dos dois jornalistas que ele mesmo escolheu para parecer ainda mais forte.

Fala decepciona grevistas

Para o jornal Le Parisien, a entrevista foi um "embate brutal", "obscuro em vários momentos", na qual Macron não parou de repetir qual é o seu papel de chefe de Estado, com amplos poderes fixados pela Constituição. Poderes que permitem a ele tomar decisões militares, como o ataque de sábado (14) às bases sírias, sem consultar ninguém, além de seus assessores mais próximos.

Le Parisien entrevistou um ferroviário, estudantes universitários e o ex-assessor de Comunicação de Nicolas Sarkozy. O ferroviário diz que Macron "enrolou" o telespectador ao falar da dívida da SNCF, a companhia ferroviária em greve. Os estudantes lamentaram que o presidente só abordou a questão da seleção na entrada da universidade pública por dois minutos.

O comunicador de Sarkozy, Franck Louvrier, detestou o cenário da entrevista, o majestoso Palácio de Chaillot, onde foi proclamada a carta das Nações Unidas para os Direitos Humanos, com vista para a Torre Eiffel. Ele também observou que os jornalistas estavam mais preocupados em ouvir suas próprias perguntas, segundo ele "mal-elaboradas" e "sem um fio condutor", do que em escutar o presidente.

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