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Cultura

Festival de cinema no sudeste da França destaca filmes latinos

media Cartaz do festival de cinema Les Reflets, em Villeurbanne, no sudeste da França. (Foto: Reprodução)

Todos os anos, em março, o festival "Les Reflets”, que acontece na cidade de Villeurbanne, no sudeste da França, propõe um programa interessante com filmes da Península Ibérica e da América Latina. Nesse ano, o Brasil está representado com cinco longas.

Annie Gasnier, especial de Villeurbanne para a RFI Brasil

Na fila para entrar no Zola, uma sala antiga situada num antigo bairro operário de Lyon, os espectadores do festival não escondem a ansiedade: a esperança é descobrir uma "pérola" que ninguém viu, nem terá a chance de assistir nos grandes cinemas da moda. A 34ª edição do festival Les Reflets, que começou no dia 14 de março e termina no próximo dia 28, apresenta 42 filmes, em 63 sessões.

O local já exibiu filmes como o policial peruano, "A luz do cerro", de Ricardo Velarde, o chileno "A vida sexual das plantas", de Sebastián Brahm, e o policial espanhol "A ilha mínima", de Alberto Rodríguez. Nesta edição de 2018, um dos filmes mais aguardados é o documentário colombiano "O silêncio dos fuzis", de Natalia Orozco, sobre os diálogos de paz entre o governo de Bogotá e as FARC.

Dos cinco filmes brasileiros apresentados, dois eram inéditos e foram muito bem recebidos: "Arábia" de João Dumans e Affonso Uchoa, que conta as andanças de um jovem operário em Minas Gerais, e "Pela janela" de Caroline Leone, sobre uma operária demitida “para seu bem”.

A sala de cinema Zola exibe os filmes do Festival Les Reflets. Foto: Annie Gasnier

Apesar de orçamento curto, programação não decepciona

Nesta edição do Les Reflets, como todo ano, você pode confiar na programação: raramente ficará decepcionado. "Somos um pequeno festival com um grupo de apaixonados no Comitê de seleção, uma dezena de voluntários e um só assalariado, eu", explica Laurent Hugues, diretor do Festival e da sala do Zola. O orçamento também é curto, € 90 mil, o que não permite viajar longe. Raramente até os países que produzem os filmes. Alguns voluntários percorrem os festivais na França, Portugal, Espanha como em San Sebástian, outros procuram via internet as produtoras da América Latina.

Mas apesar das dificuldades, a América Latina produz anualmente 200 obras. "O verdadeiro paradoxo é que os filmes, mesmo excelentes, não são muito vistos nos países  que os produzem, são apenas 20% dos espectadores finais, o cine americano domina por lá", lamenta Alain Liatard, que inventou esse festival há 33 anos, em Lyon, na hoje desaparecida sala Le Cinématographe.

Outra decepção: os distribuidores não  se interessam pelos filmes latinos, que acabam viajando na França de um festival para outro. A competição com a programação international e as televisões a cabo é feroz.

No início, os "Latinos" de Lyon e da região, dos quais muitos exilados chilenos, queriam guardar um contato cultural com as suas raízes. Hoje os cinéfilos agradecem.

O Festival Les Reflets, na segunda quinzena de março, oferece duas semanas de projeção. São vendidas 13.000 entradas. E o último dia acaba sempre numa grande festa.

 

 

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