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França

Quase 50 mil pessoas protestam contra reformas de Macron em Paris

media Manifestação em Paris em 22 de março de 2018. GERARD JULIEN / AFP

Escolas fechadas, caos no transporte público, voos cancelados... O governo Macron enfrentou nesta quinta-feira seu maior teste. Segundo a CGT, central sindical francesa, mais de 500 mil pessoas protestaram contra as reformas do presidente em toda a França, entre elas, mais de 60 mil apenas em Paris. Já um coletivo de mídias francesas, que pela primeira vez testou um tipo de contagem independente, diz que o número foi mais baixo, cerca de 47 mil manisfestantes.

Na capital francesa, duas manifestações, dos servidores públicos e dos trabalhadores ferroviários, saíram de pontos opostos de Paris e se encontraram no final da tarde na praça da Bastilha, ao leste da capital. "A convergência das lutas é mais do que necessária, quanto mais numerosos nós formos, mais poderemos impor ao governo o que os franceses exigem," afirmou Pascal Chevalier, ferroviário de 49 anos. 

A manifestação também contou com diversas personalidades da esquerda francesa. Entre elas, Benoît Hamon, presidente do seu próprio partido, fundado em 2017, Génération.s, e Jean-Luc Mélenchon, presidente do partido La France Insoumise. "Nós reunimos toda a esquerda, o que não acontecia havia muito tempo," disse Hamon. 

No centro das reivindicações está a reforma da SNCF - que transformaria a empresa pública em uma sociedade anônima e acabaria com a garantia de emprego vitalício aos trabalhadores ferroviários - e a reforma do serviço público francês - que permitiria o uso massivo de trabalhadores contratados e estabeleceria um plano de demissões voluntárias coletivas, um tabu neste setor. O projeto do governo Macron visa eliminar 120 mil dos 5,64 milhões de postos de trabalho no setor público francês, a fim de reduzir o déficit orçamentário da França para 3% do PIB.

O governo francês se diz disposto a dialogar com os funcionários, mas mesmo diante da importante pressão social, ressalta sua determinação em dar continuidade às reformas no país.

Confusão às margens da manifestação

Apesar do protesto ter sido pacífico, houve confusão às margens da manifestação. Centenas de jovens e militantes antifascistas e anticapitalistas se reuniram às 11 horas na praça da Nação para se juntar à passeata dos ferroviários. 

"Trabalhadores ferroviários, funcionários públicos, estudantes, todos nós temos razões para nos opor a esse governo, temos um interesse comum. Hoje, é um primeiro dia, é apenas o aquecimento", disse Gabin, estudante de 19 anos no início dos protestos.

Com a tensão nas alturas, os manisfestantes, muitos encapuzados, quebraram vidraças de bancos, símbolos do capitalismo, e lançaram pedras e garrafas contra os policiais, que responderam com um canhão de água e gás lacrimogêneo. Três pessoas, incluindo um militante conhecido da polícia, foram interpeladas.

Manifestação em Marselha, em 22 de março de 2018. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Lembrança de maio de 68

"Eu corro mais devagar que em 68, mas grito mais alto," dizia um cartaz em Montpellier, fazendo referência ao movimento dos estudantes da Universidade de Nanterre, em maio de 68

Mobilizados desde cedo, estudantes responderam ao chamado dos sindicatos, se juntando às passeatas e bloqueando as escolas. "O descontentamento é geral como em 68. E em 68, o movimento teve origem no ensino médio e nas faculdades, então vamos desempenhar nosso papel", disse um estudante. 

Perto da praça da Bastilha, em Paris, os estudantes seguraram um cartaz colorido que dizia "Greve geral, sonho geral #68".

Os aposentados, que denunciam o aumento do CSG, contribuição para a aposentadoria, também participaram maciçamente das manifestações. Em Estrasburgo, um casal de manifestantes levava um cartaz que dizia: "Aposentados em marcha contra Macron. Nós fizemos maio de 68, podemos fazer maio de 2018."  

Greves vão continuar

A greve geral convocada para esta quinta-feira (22) causou perturbações nos transportes franceses. 60% dos trens de alta velocidade, a metade dos trens regionais e 70% dos trens na grande região parisiense não circularam. Além disso, 30% dos voos saindo dos aeroportos Charles de Gaulle e de Orly foram cancelados. A RATP, que opera o metrô e as linhas de ônibus em Paris, também participou da greve, mas em menor escala. O funcionamento do metrô e dos ônibus na capital na quinta-feira (22) foi quase normal.  

Se os franceses tiveram dificuldade para chegar ao trabalho nesta quinta-feira, a previsão é que a situação continue incomodando, já que a SNCF fará greve em dois dos cinco dias da semana, a partir do dia 3 de abril e até o final de junho. 

"A gente luta como pode, isso irrita os passageiros, mas é a única forma de pressão que nós temos hoje em dia," diz Fabien Busson, de 30 anos. 

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