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França

Para denunciar desigualdade salarial, jornal francês dá desconto de 25% para mulheres

media As mulheres que comprarem a edição do jornal Libération desta quinta-feira (8) terão um desconto de 25%. Fotomontagem RFI

Dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, os jornais franceses dedicam em peso suas capas à luta pela igualdade de direitos. Para protestar contra a disparidade salarial de 25% entre homens e mulheres, o jornal Libération vende sua edição desta quinta-feira (8) com um desconto de 25% para as mulheres.

"Para as mulheres, € 2" é a manchete de capa do Libé, que também tem outra versão: Para os homens, € 2,50. Ou seja, as francesas que comprarem o jornal hoje, pagarão € 0,50 a menos, com um desconto de 25%, que é o que recebem a menos em seus salários.

"Punição?", questiona o diário. "Não, contribuição", responde, explicando que o montante das vendas desta quinta-feira será repassado ao Laboratório da Igualdade, que há anos luta por direitos iguais entre homens e mulheres na França.

Para chegar a essa percentagem a menos na remuneração das francesas, Libé considera a média geral dos salários, sem considerar as funções desempenhadas. Para o jornal, há dois motivos para o fenômeno: primeiro, porque em algumas profissões os homens são mais bem remunerados que as mulheres, pelo simples fato de... serem homens.

Segundo porque, depois de formar família, muitas mulheres decidem trabalhar meio período. A grande questão, diz o jornal, é: por que sempre as mulheres e raramente os homens? "Os homens quase nunca se imaginam trabalhando em tempo parcial porque eles se dedicam especialmente à carreira profissional", salienta Libé. Para o jornal, esse é o retrato de uma desigualdade gritante também nas famílias.

Governo francês quer corrigir desigualdades

Os dados oficiais do governo francês, que comparam função e tempo de serviço, apontam que os homens recebem 9% a mais que as mulheres na França. O assunto está na capa do jornal Les Echos desta quinta-feira, que salienta que a igualdade salarial é uma promessa do presidente Emmanuel Macron. Por isso, o governo francês apresenta nesta quinta-feira um plano com 20 medidas para resolver o problema até 2022.

A França, aliás, já conta com uma lei que impõe a isonomia salarial entre homens e mulheres, mas nem todas as empresas a aplicam. Em entrevista ao diário, a ministra francesa do Trabalho, Muriel Pénicaud, detalha o projeto e lembra que, além dele, o governo também apresentará no final deste mês um novo plano para lutar contra as violências sexistas e sexuais contra às mulheres.

Como evoluir a luta pós-Weinstein

Já o jornal Le Figaro lembra que esse Dia Internacional das Mulheres ganha um sentido diferente, cinco meses depois do escândalo Harvey Weinstein, que começou sacudindo Hollywood e ganhou o mundo inteiro. "Violência contra as mulheres: a onda de choque" é a manchete de capa do jornal neste 8 de Março.

Em editorial, o diário considera, no entanto que a luta feminista precisa evoluir a partir do movimento #MeToo, chamado de #BalanceTonPorc (Denuncie seu porco) na França. Afinal, depois que todo o tipo de violência sexual contra as mulheres foi revelado ao mundo, é preciso ir além.

Apenas um arsenal legislativo não resolverá o problema, ressalta Le Figaro. A mudança precisa ser geral, sem o linchamento e a luta de sexos, mas concentrada na educação de homens e mulheres à liberdade e ao respeito.

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