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França

Suspeito de ter abrigado terroristas do atentado contra o Bataclan é liberado

media Turistas caminham em frente ao Bataclan, um ano após os atentados Charles Platiau/Reuters

O resultado do primeiro processo ligado aos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris surpreendeu a França nesta quarta-feira (14). Jawad Bendaoud, acusado de ter cedido abrigo a dois jihadistas implicados na ação terrorista, teve seu pedido de liberdade concedido pelo Tribunal Correcional de Paris.

Uma pena de quatro anos havia sido requisitada contra Bendaoud por “cumplicidade com terroristas”. Ele abrigou em seu apartamento em Saint-Denis, região metropolitana de Paris, Abelhamid Abaaoud, suspeito de ter organizado o atentado que deixou 130 mortos e mais de 400 feridos.

Jawad Bendaoud ficou conhecido por ter dado entrevista à televisão francesa logo após o início das acusações contra sua pessoa, onde ele negava, de forma vaga, ter consciência de que os dois homens que ele abrigou em sua casa eram terroristas.

Bendaoud foi julgado ao lado de dois outros detentos, Mohamed Soumah, traficante de 28 anos, e Youssef Aït Boulahcen, socorrista de 25, que não tiveram o mesmo destino e foram condenados respectivamente a cinco e quatro anos de prisão por cumplicidade e ausência de denúncia de crime terrorista. Mohamed Soumah foi o intermediário entre Jawad Bendaoud e os terroristas.

Ausência de provas

“Não há provas de que Jawad Bendaoud forneceu moradia a terroristas”, declarou a presidente do Tribunal, Isabelle Prévost-Desprez. Em resposta ao anúncio de sua liberdade, Bendaoud ergueu os braços e abraçou seu advogado.

Isabelle Prévost-Desprez argumentou também que não foi comprovada a presença do DNA de Jawad Bendaoud na cintura explosiva utilizada por Chakib Akrouh, o segundo jihadista a quem ele cedeu abrigo.

Reações na França

“Não esperava por isso”, disse o pai de uma das vítimas do Bataclan ao jornal Le Figaro, sob o choque da notícia. “Nunca vi isso, é um escândalo. Jawad enganou a todos. Estou revoltado, tenho vontade de fazer justiça por minhas próprias mãos”.

“Não estou surpresa, mas decepcionada”, disse a mãe de uma das vítimas. “A Justiça não está de acordo com a realidade do mundo que vivemos, com esses ataques terroristas”.

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