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França

Maternidade e paternidade "positiva": avanço ou exagero?

media Capa do jornal Libération desta quarta-feira (7): "O mito dos pais perfeitos". Reprodução/Libération

O jornal Libération desta quarta-feira (7) trata de uma nova moda entre as mães e os pais franceses: a maternidade ou paternidade "positiva". O fenômeno, que teve origem nos Estados Unidos e agora chega à França, consiste em educar as crianças sem puni-las.

"O mito dos pais perfeitos" é a manchete de capa do Libé desta quarta-feira e assunto de uma reportagem especial do jornal. "Escutar seus filhos e negociar com eles: a moda da maternidade e da paternidade "positiva" vai até a organização de estágios para pais e mães que não sabem mais como criar suas crianças", destaca. Seria esse fenômeno um avanço ou uma ilusão?, questiona o diário.

Libération explica que esse movimento se inspira em estudos dos anos 90 da psicologia americana contra a punição e a violência infantil e divide os franceses, ainda apegados à educação tradicional, mas atentos às mudanças comportamentais. A legitimidade da maternidade ou paternidade positiva se apoia também na neurociência, que diz que o cérebro de uma criança que não é exposta à punição e à violência funciona melhor dos que os pequenos que vivem tempestades emocionais nas famílias. Esse argumento científico estampa capas de livros dedicados à criação dos filhos que invadiram as livrarias francesas e também é tema de estágios para pais e mães que buscam apoio.

As organizações públicas também se mobilizam nesta mesma direção. A Fundação para a Infância da França realiza neste momento uma campanha contra as violências educativas ordinárias e lembra que agredir os filhos é marcá-los por toda a vida. O governo francês também abriu uma linha telefônica gratuita, a SOS Parentalité, para instruir pais e mães a educar suas crianças sem punições.

Libération lembra que esse movimento acontece pouco mais de um ano depois que a polêmica "lei contra a palmada" foi cancelada na França. Mas a ideia volta a ser discutida pelos parlamentares franceses, que pretendem adotar um novo texto sobre esta questão ainda neste ano.

Valores e limites

Em editorial, o jornal se questiona se esse movimento desesperado de pais desorientados não seria exagerado, mas compreende a dificuldade da tarefa de criar os filhos em um mundo ultraconectado e extremamente estressante. Para o editorialista, a questão não é a maternidade ou a paternidade "positiva" ou "negativa", mas a transmissão de um certo número de valores e sobretudo do estabelecimento de limites aos filhos.

Entrevistado pelo diário, o sociólogo e pesquisador Claude Martin, especialista em infância e educação, diz que ninguém pode ser contra a ideia de uma criação não-violenta e mais aberta ao diálogo do que à punição. Mas também lembra que a educação dos filhos não pode estar baseada no "piloto automático da maternidade ou paternidade 'positiva'".

Para o sociólogo, se preocupar com a criação dos filhos é importante e o movimento é interessante. No entanto, ele aconselha que os pais relaxem e considerem outras questões envolvendo a educação das crianças, de maneira que elas sejam mais positivas coletivamente e não apenas no ambiente familiar.

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