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França

França vai participar de missões espaciais para Marte e Mercúrio em 2018

media O presidente do CNES, Jean-Yves Le Gall, anunciou os projetos espaciais da França para 2018 Michel Euler / POOL / AFP

Este ano será marcado por três importantes lançamentos feitos pela Agência espacial francesa. Uma missão franco-americana será enviada a Marte, uma nipo-europeia fará uma longa viagem a Mercúrio e uma equipe franco-chinesa deve explorar, a partir do espaço, a superfície dos mares da Terra.

A primeira grande expedição será lançada no dia 5 de maio, anunciou nesta terça-feira (16) o presidente do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES na sigla em francês). A missão InSight da Nasa será enviada para “ouvir o coração de Marte”.

A França participa fornecendo o principal instrumento da missão: um sismômetro batizado SEIS (Seismic Experiment for Interior Structures). A ferramenta possibilita medir a atividade tectônica de Marte para retirar informações sobre a estrutura do “planeta vermelho”.

A segunda missão é voltada para a pesquisa sobre a Terra, com um projeto de observação realizado em parceria com a China, com a qual o CNES desenvolve seu primeiro satélite comum. O instrumento vai ajudar a prever tempestades e ciclones.

O CFOSat (China-France Oceanography SATellite) será lançado no dia 25 de setembro a partir da China. Ele embarcará um radar francês encarregado de medir a direção e a amplitude das ondas do mar, além de um radar chinês que deve analisar a força e a direção dos ventos.

A última missão ainda não tem data exata, mas deve acontecer “no fim do ano”, de acordo com Le Gall. Trata-se da BepiColombo, lançada a partir da Guiana Francesa com destino a Mercúrio. Essa é a primeira vez que um país europeu organiza uma viagem para o misterioso e pouco explorado planeta próximo ao Sol. Doze laboratórios franceses participam dessa aventura científica, formada por duas sondas (uma europeia e outra japonesa), e que levará sete anos para entrar na órbita de Mercúrio.

O chefe do CNES também confirmou o aumento de cerca de 5% no orçamento da entidade, provando que o setor espacial continua sendo uma “forte prioridade” para o governo francês. A instituição, que beneficia de um orçamento de € 2,4 bilhões, é o maior colaborador da Agência Espacial Europeia (ESA na sigla em inglês).

Lua fica fora dos projetos espaciais franceses

Se os norte-americanos continuam fascinados pelas viagens espaciais rumo à Lua, o único satélite natural da Terra não parece interessar os franceses, que não preveem nenhuma missão este ano. “A Lua é mais fácil”, comentou Jean-Yves Le Gall, lembrando que ela fica a “apenas três dias” de viagem da Terra. “Mas como nós já fomos e trouxemos centenas de quilos de rochas lunares, do ponto de vista científico não nos interessa retornar”.

Segundo ele, “a comunidade internacional está muito mais interessada em Marte”, pois persiste a curiosidade sobre a possibilidade de se habitar o planeta vermelho. “Mesmo se é mais fácil fazer um ‘vilarejo lunar’ que um ‘vilarejo marciano’”, comentou.

O conceito de "vilarejo lunar" (Moon Village) foi lançado em 2015 pelo alemão Jan Wörner, diretor da ESA.

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