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França

Atacado pela sociedade civil, Macron defende sua política migratória em Calais

media Emmanuel Macron cumprimenta o sudanês Ahmed Adam (esq.) durante visita a um centro de acolhimento de migrantes em Croisilles, nos arredores de Calais. REUTERS/Michel Spingler/Pool

O presidente francês, Emmanuel Macron, visitou nesta terça-feira (16) a cidade de Calais, no norte do país, símbolo da crise migratória no continente europeu. Ele voltou a defender seu projeto de reforma da lei de asilo. O texto, em fase de conclusão, tem sido torpedeado por associações de defesa dos direitos humanos e personalidades de vários setores da sociedade.

"A França não permitirá, sob nenhuma hipótese, a reconstituição de uma nova 'selva' em Calais", disse Macron, referindo-se ao imenso acampamento erguido na periferia da cidade e que chegou a acolher 8 mil migrantes antes de ser desmantelado no ano passado. Principal ponto de passagem entre a França e a Grã-Bretanha, Calais ainda acolhe cerca de 300 imigrantes. Dia e noite, porém, eles enfrentam a ação de policiais determinados a remover suas barracas e expulsá-los da região.

Irritado com as críticas à nova lei em estudo no governo, que vai endurecer as condições de concessão de asilo e facilitar a detenção dos chamados "migrantes econômicos" – aqueles que chegam à União Europeia fugindo da miséria em seus países de origem –, Macron elogiou o trabalho dos policiais de Calais e denunciou o que classificou como "mentiras e manipulações".

Em resposta às acusações de que a polícia destrói os pertences dos migrantes e perturba a distribuição de ajuda humanitária com bombas de gás irritante, Macron declarou que a França "tem um dever de humanidade ante os migrantes, sem abrir mão da ordem republicana". O presidente defendeu uma ação exemplar e não violenta da parte dos policiais, que devem, segundo ele, evitar o confisco de pertences pessoais. O centrista também prometeu que o Estado irá assumir a distribuição de refeições aos migrantes de Calais, um trabalho que é feito atualmente por ONGs.

Em contrapartida, Macron insistiu na diretriz do projeto de lei que será apresentado ao Conselho de Ministros em fevereiro. "A nossa linha é clara: devemos garantir um acolhimento digno e humano a todos e uma resposta rápida [...] porém aqueles que não são admitidos devem de fato retornar a seus países", reafirmou o chefe de Estado em um discurso de quase uma hora, pronunciado em um quartel da polícia em Calais.

Sobre as associações de ajuda aos refugiados, Macron manteve o tom duro, dizendo que quem "encoraja estas mulheres e homens a ficarem aqui e a se instalarem dentro da ilegalidade ou a migrar para a Grã-Bretanha toma para si uma imensa responsabilidade e nunca terá o Estado a seu lado".

Críticas em seu próprio campo

A "linha" de Macron é denunciada por associações de direitos humanos, pela esquerda e até por uma ala de seu partido – A República em Marcha  (LREM) –, que acusa o poder Executivo de privilegiar "a segurança" em detrimento do aspecto humanitário da crise. As propostas são mais controvertidas do que as adotadas durante a presidência conservadora de Nicolas Sarkozy.

O presidente francês anunciou ainda que vai evocar com a primeira-ministra britânica, Theresa May, os elementos que precisam ser melhorados para a gestão da imigração no Canal da Mancha, fronteira entre os dois países.

"Calais não é uma porta aberta entre a França e a Inglaterra. De forma alguma vamos deixar que aqui se constitua uma zona de ocupação ilegal e atividades ilegais", reiterou o presidente. A dois dias de uma reunião de trabalho com o governo britânico, ele disse que a questão dos menores isolados presentes em Calais, mas que possuem família do outro lado do Canal da Mancha, será um dos assuntos em pauta.

"O que devemos fazer é organizar uma política europeia mais solidária no exterior de nossas fronteiras, assim como no interior do bloco, além de efetuar um melhor controle das fronteiras. Isso já está sendo feito, mas ainda avança com lentidão", concluiu Macron.

Diariamente, a imprensa tem publicado artigos de opinião apontando contradições no discurso "humanitário" do presidente e a ação repressiva da polícia sob sua autoridade. Cinco personalidades do mundo sindical e empresarial assinam hoje, por exemplo, uma carta aberta no jornal Le Monde, com chamada de primeira página, na qual reivindicam uma política europeia mais coerente.

"Infelizmente, acordamos em um país que rouba o cobertor de migrantes em Calais [...] ou que rasga barracas de refugiados em Paris. [...] O que significa um projeto de lei que propõe que eritreus, sudaneses ou sírios, humilhados em seus países, torturados na Líbia, explorados por atravessadores e aterrorizados no Mar Mediterrâneo poderão em breve ser detidos na França? [...] Se queremos de fato proteger os perseguidos porque eles têm direito, onde quer que se encontrem, convém dividir essa missão entre os países europeus que reconhecem esses valores", diz a carta.

Na semana passada, várias personalidades, incluindo o presidente da Cruz Vermelha francesa e um Prêmio Nobel de Literatura, também se manifestaram contra o aspecto desumano de algumas propostas de Macron em relação aos migrantes em uma série de artigos publicados pela revista L'Obs.

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