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França

Paris: megaprojeto transforma estações abandonadas em lugares da moda

media La Recyclerie foi pioneira da nova onda de estações convertidas em espaço multifuncional. @larecyclerie

Em vez de uma estação de trem abandonada, um centro multifuncional com lugar para shows, restaurante e ateliês diversos. As ferrovias desativadas, tomadas por lixo e capim, cedem espaço para hortas e jardins comunitários, uma sala de debates ao ar livre e mesas espalhadas para degustar um rosé no verão. Essa transformação está em curso em uma vasta superfície de 31,5 quilômetros que contornam Paris por dentro, a chamada Petite Ceinture (“cintinho”), pela qual circulava uma linha do metrô parisiense até os anos 1930.

Desde então, a maior parte do trajeto foi abandonada – alguns trechos foram tomados por moradores de rua, outros eram usados para festas secretas e improvisadas de grupos jovens, à luz do dia quanto à noite. O desleixo deu à Petite Ceinture um ar de lugar cult e underground.

Foi somente em 2013 que a prefeitura de Paris abriu os olhos para o gigantesco potencial do lugar, em uma cidade ávida por modernização. O projeto ganhou força com a ascensão da atual prefeita, a socialista Anne Hidalgo, obcecada em ampliar o uso dos espaços de Paris pelos seus habitantes.

Até o momento, a revitalização de 16 estações está nos planos do governo municipal, como parte da operação “Revitalizar Paris”. Nos próximos anos, será aberta na extensão da ferrovia desativada uma série de novos lugares potencialmente da moda - e agentes de gentrificação de bairros, por vezes, degradados.

É o que já aconteceu na Porte de Clignancourt, no norte de Paris, com a Recyclerie, fundada em 2014. Muito além de um restaurante ou uma casa de shows, o local se define como “um espaço incontornável da tomada de consciência e mobilização”, para estimular “um estilo de vida mais ético”. Um dos traços valorizados pela prefeitura da capital, na aprovação dos projetos, é o aspecto comunitário das iniciativas, se possível com uma atenção especial à agricultura urbana e à economia solidária. Mais hipster, impossível.

Perfeita nessas tendências, La Recyclerie tem uma fazenda urbana – com direito a aquaponia e apicultura -, um ateliê de conserto de objetos danificados, uma cantina com preços acessíveis e as portas abertas para os moradores de baixa renda da região. As noites são animadas até as 2h, o limite de horário quase intransponível dos bares em Paris. E tudo isso sob o incontornável design industrial, que leva jovens de toda a cidade a esse bairro popular.

“O sucesso aconteceu porque surgimos num momento em que as pessoas queriam saber cada vez mais sobre esses temas que nós tratamos: como construir uma sociedade mais respeitosa do meio ambiente e mais colaborativa, e nos divertirmos com isso. É um lugar onde todo mundo é bem-vindo para conhecer gente nova e trocar ideias”, afirma Marion Bocahut, que dirige a seção ecossustentável do estabelecimento.

Outro exemplo é Le Hasard Ludique, na antiga estação às portas da cidade de Saint-Ouen, também no norte parisiense. Aqui, o foco são shows aliados à boa (e sustentável) gastronomia. Anexo ao Hasard Ludique, o Fabrique Ludique abre as portas para cursos variados, como yoga, e trocas de serviços e objetos – em mais um local propagador da economia solidária.

Vista no interior do restaurante Le Hasard Ludique Arquivo pessoal facebook

Menos ambicioso nas propostas, La Gare Jazz foi inaugurada no último verão em La Vilette e, apesar da despretensão, se tornou um dos bares obrigatórios dos ávidos por novidades. Como o nome indica, o estabelecimento recebe músicos de jazz, em geral pouco conhecidos – mas quem se importa quando a entrada é gratuita e a cerveja, barata.

A decoração simples, à base de lampiões, dá destaque à imensa obra de um dos fundadores da casa, o artista Julien de Casabianca, que preenche toda a fachada da antiga estação de trem.

A antiga estação ferroviária no 19° distrito de Paris agora recebe os apaixonados por jazz na La Gare Jazz. facebook la gare

Neste ano, é no outro extremo da capital, onde operava a estação de Montrouge, que vai abrir Le Poinçon, candidata a spot da moda no próximo verão. No que depender do gerente, Renaud Barillet, a aposta vai vingar – ele comanda uma das casas noturnas multifuncionais pioneiras de Paris, a bem-sucedida Bellevilloise, no 20º distrito.

Outros trechos da ferrovia, como no 15º distrito da capital, em Porte de Versailles, têm vocação para se tornarem meros caminhos de passeio, com a renovação dos jardins e instalação de atividades para as crianças. O mesmo vai ocorrer em uma extensa parcela entre o 12º e o 20º distritos da capital – sem jamais remover os trilhos que caracterizam a história da Petite Ceinture.

Por enquanto, não há planos de reativar o transporte no trajeto – embora muitos parisienses sonhem com isso. A linha circular foi construída durante o império de Napoleão Bonaparte, com a supervisão do Barão Haussmann, e acabou desativada em 1934 por falta de usuários.

Durante todos esses anos, projetos isolados tentaram dar vida nova a trechos da ferrovia. Na estação Saint-Ouen, um cinema foi improvisado durante a Segunda Guerra Mundial. A de Passy-La-Muette passou a abrigar um restaurante chique que funciona até hoje. No gênero noturno, o exemplo mais bem sucedido foi o Flèche D’Or, aberto em Charonne e onde funcionou por mais de 20 anos uma casa de shows de música alternativa. O local virou lenda na capital francesa, mas fechou as portas em 2015.

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