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França

Política migratória de Macron provoca fortes críticas na França

media Presidente Emmanuel Macron é alvo de críticas REUTERS/Philippe Wojazer

As posições do presidente francês Emmanuel Macron acerca dos imigrantes, somadas às polêmicas em torno do projeto de lei sobre a imigração, têm provocado fortes críticas a seu governo na França.

O presidente francês tem sido fortemente atacado por políticos de diversos partidos quanto a suas decisões sobre a imigração na França. Benoît Hamon, ex-candidato do Partido Socialista à presidência da República, disse que o presidente é “desonesto”. “Sua política é maliciosa para os mais vulneráveis. O que o Macron faz, mesmo Sarkozy não teve coragem de fazer”, declara.

O jornal francês Libération publicou um artigo no qual diz que “na França atual, é preciso esfregar os olhos para se dar conta de que o homem que quer endurecer a política migratória é o mesmo que, há alguns meses, com a mão sobre o peito, fazia menção à honra da França de poder receber os refugiados”.

Ian Brossat, político do Partido Comunista Francês, disse que “em termos de imigração, Emmanuel Macron fala como a Madre Teresa e age como Nicolas Sarkozy ou mesmo pior”.

Resposta ríspida

Em novembro deste ano, num evento de caridade organizado pela associação Restos du coeur (“Restaurantes do coração”, em francês) em Paris, Macron respondeu a uma marroquina em situação irregular no território francês que ela devia “retornar ao seu país”.

“Nós ajudamos as pessoas quando elas estão doentes. Mas não posso oferecer visto a todas as pessoas que não o têm. Do contrário, como vamos fazer com quem já está aqui e não encontra trabalho? É preciso proteger os mais vulneráveis, mas se você não está correndo nenhum perigo, é preciso que você volte ao seu país. No Marrocos, você não corre nenhum risco”, disse Macron.

A cena, filmada por um canal local de televisão, provocou grande polêmica e esquentou ainda mais o debate sobre a austeridade de Macron. Aurélie Filippetti, ex-ministra da Cultura, descreveu Macron como um “mau exemplo”.

“Vemos que há sempre um discurso de mão dupla. Diante das autoridades europeias, ele diz que é preciso ‘acolher ainda mais refugiados’ e, quando se encontra diante de uma senhora que está com dificuldades em conseguir um visto, ele se mostra rígido e sem empatia”, declarou Filipetti.

Lei polêmica

O projeto de lei sobre a imigração, proposta pelo Ministro do Interior Gérard Collomb, esquenta ainda mais a discussão. O texto, criticado por diversas associações humanitárias, pretende aumentar o período de retenção de estrangeiros sob risco de expulsão de 45 para 90 dias.

O governo também teria direito de ser mais rígido nas decisões de extradição e mesmo de recusar asilo no caso de possibilidade de envio do estrangeiro a um outro país por onde o mesmo transitou.

A boa notícia no meio disso tudo é que a lei também prevê um aumento de 25% no orçamento de 2018 para facilitar o programa de integração dos imigrantes em situação regular e dos que têm direito a asilo no país.

Segundo a lei de Finanças, aprovada em setembro, o aumento previsto é de 300 milhões de euros, o que elevaria para 1,38 bilhão de euros o orçamento para a política de integração dos estrangeiros na França.

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