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Príncipe saudita promove reformas sem tocar nas bases do wahabismo

Príncipe saudita promove reformas sem tocar nas bases do wahabismo
 
"O príncipe que pode mudar tudo" é a manchete da revista semanal Le Point. Fotomontagem

Com a manchete de capa "O príncipe que pode mudar tudo" no Oriente Médio, a revista semanal Le Point traz uma série de reportagens sobre as ações do príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, mais conhecido na França pelas iniciais de seu nome "MBS".

Indicado há seis meses para ser o futuro rei da Arábia Saudita, MBS tem promovido reformas visando tirar seu país da dependência do petróleo. Tão impulsivo quanto ambicioso, o príncipe de 32 anos prepara sua ascensão ao trono protegido pelo pai, o rei Salman bin Abdulaziz al Saud, combatendo a corrupção e isolando adversários, descreve Le Point.

"MBS é um guerreiro, que está disposto a cortar as asas do Irã xiita na região, com o apoio do presidente americano, Donald Trump". A questão que a revista se propõe a analisar é se ele será capaz de promover reformas no wahabismo, o movimento fundamentalista dominante na Arábia Saudita há 250 anos e que está na raíz ideológica do grupo Estado Islâmico (EI). Com base nas explicações de vários especialistas da região, a resposta da Le Point é "provavelmente não".

O príncipe herdeiro não é um rigorista. Afinal, ele empreendeu em pouco tempo reformas marcantes, como autorizar as mulheres sauditas a dirigir, a partir de junho de 2018. O mais recente sinal de abertura foi anunciado esta semana, quando os sauditas revelaram que o país voltará a abrir salas de cinema em 2018, quebrando uma proibição de 35 anos. Até 2030, as mulheres sauditas deverão ocupar 30% dos postos de trabalho no país.

"Arejando a casa real"

Para a revista, MBS só está no fundo "arejando a casa real da poluição extremista", propagada pelo grupo Estado Islâmico, igualmente defensor do salafismo, corrente que prega uma interpretação radical e intolerante do Islã.

Le Point mostra que a aliança entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, descrita como "um pacto sagrado", continua mais forte do que nunca, apesar do 11 de setembro, quando kamikazes financiados pelo saudita Ossama Bin Laden atacaram as torres gêmeas em Nova York. Nem a queda do regime sunita iraquiano, em 2003, promovida por Washington, nem a reaproximação dos Estados Unidos com o Irã, em 2015, foram suficientes para distanciar os dois países, que continuam mantendo laços fortes, afirma a Le Point.


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