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"Cinema precisa rever seus privilégios no Brasil de hoje", diz Marcelo Caetano

 
O diretor de cinema Marcelo Caetano, que assina o longa Corpo Elétrico, exibido em Paris em 20 de novembro de 2017. RFI/Élcio Ramalho

Ele é diretor de cinema e apresentou seu longa durante o Festival de Cinema LGBTQ de Paris, o Chéries-Chéris. O filme Corpo Elétrico esteve no festival de cinema de Rotterdam, na Holanda, ganhou prêmio no México, e já passou por festivais em países como Polônia, Hong Kong, Reino Unido, Bélgica e Estados Unidos. O RFI Convida o diretor de cinema Marcelo Caetano.

Elias, personagem que é protagonista de Corpo Elétrico, traz duas marcas que poderiam facilmente se tornar estigmas sociais no Brasil: ele é gay e nordestino. Será que o desejo pode ser revolucionário? Segundo o diretor do filme, o mineiro Marcelo Caetano, a resposta é sim.

"É uma maneira de retirar o estigmas desses personagens, trazê-los para dentro da sociedade e produzir imagens novas, que mostrem estes personagens no mundo, convivendo, trocando e encontrando pessoas diferentes", afirma o diretor. "Precisamos entender esses personagens convivendo com heterossexuais, convivendo dentro da classe trabalhadora, circulando no espaço público no centro de São Paulo. É muito importantes que as pessoas vejam essas figuras existindo no espaço público, na rua", completa.

O diretor destaca a "sutileza" e a "delicadeza" de Corpo Elétrico: "É um filme que tenta encontrar sua beleza no cotidiano e eu acredito sim que esse personagem [Elias, o protagonista] não quer fazer parte das estatísticas de violência, ele quer se humanizar no encontro com os outros (...) É um filme que discute também outros conceitos de família que a família tradicional".

Política e solidariedade

"Estamos claramente falando de política e o que eu acredito enquanto política é o ato de filmar encontros improváveis, mas não impossíveis", comenta Marcelo Caetano. "São pessoas muito diferentes entre si. Acredito que seja uma solidariedade outsider, pessoas que estão nas margens da sociedade brasileira e que de uma certa forma se olham, se vêem e se encontram para resistir", continua o diretor.

"O que eu acho muito importante, e eu falo não só como cineasta, mas como artista que está pensando o Brasil de hoje, é que o cinema de uma certa forma se entenda enquanto uma arte como as outras, e seja solidário ao teatro, à dança, às artes visuais que têm sofrido problemas seríssimos de censura e de perseguição por parte de movimentos de extrema-direita no Brasil", desenvolve Caetano, que está e esteve no meio de grandes produções recentes do cinema brasileiro ele assina a produção de elenco de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho e foi assistente de direção de Gabriel Mascaro em Boi Neon.

(Para ouvir a entrevista na íntegra, clique acima na foto do diretor que ilustra a matéria)


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