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França

“França deve melhorar sistema de imigração profissional”, diz OCDE

media Imigrantes sem documentos esperam para serem expulsos pela polícia em Calais, na França, em 2014. AFP PHOTO / DENIS CHARLET

Para atrair mais talentos estrangeiros e satisfazer as necessidades de seu mercado de trabalho, a França deve "modernizar e melhorar" a organização da imigração profissional, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta segunda-feira (20), em novo relatório.

Na França, a imigração profissional de não-europeus "continua a ser baixa" para os padrões internacionais: ela representava em 2016 apenas 16% de todas as autorizações de residência emitidas, segundo a OCDE, em seu novo relatório sobre "o recrutamento de trabalhadores imigrantes na França".

Segundo o documento, a imigração profissional de não-europeus é dois níveis mais baixa do que a imigração familiar e "duas a quatro vezes menos elevada” do que a dos europeus que vêm trabalhar na França. O relatório da OCDE faz questão de lembrar o "impacto positivo" sobre a economia que pode ter "uma imigração bem administrada".

"A França deve modernizar e fortalecer a gestão da migração laboral para atrair talentos estrangeiros e melhor atender às necessidades do mercado de trabalho", diz o texto, citando exemplos, como o dos imigrantes sem documentos. A cada ano, milhares deles, que trabalham na construção ou em restaurantes são regularizados (5 mil em 2015, 6,4 mil em 2016). Nesses setores, os empregos são percebidos como "pouco atrativos", mas é difícil recrutar estrangeiros por causa dos longos procedimentos administrativos.

Para a OCDE, é necessário melhorar as ferramentas que equacionam a oferta e a demanda de mão-de-obra. O relatório também questiona o "tratamento discriminatório excessivo" de pedidos de autorizações de trabalho, resultando em uma "desigualdade" entre as regiões - especialmente para a imigração sazonal. A OCDE pede para que os procedimentos sejam “mais transparentes".

França tem déficit de pessoal qualificado

Salientando o “déficit de atratividade" da França para pessoas altamente qualificadas, o estado deve "garantir que o potencial de graduados estrangeiros na França seja bem aproveitado", acrescenta o relatório, que enfatiza os problemas de integração dentro do mercado de trabalho, mesmo que "mais de um terço" dos imigrantes decidam permanecer na França depois de terminar seus estudos.

Finalmente, segundo o texto, "é importante repensar a relação dos imigrantes com o país de origem", principalmente na gestão da migração laboral. No entanto, segundo o órgão, a emissão de autorizações de residência "é pensada apenas como uma contrapartida na luta contra a imigração ilegal".

No preâmbulo do seu relatório, a OCDE afirma que "não se pode resumir as diversas categorias de imigrantes a caricaturas, sem o risco de criar confusão na opinião pública", alerta a OCDE, que lembra ao governo francês que o termo “migração econômica” inclui “todos aqueles que possuem um documento que lhes autorize a residir no país, em função de uma atividade profissional”.

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