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França

Macron pede que UE compense ausência dos EUA na luta contra aquecimento climático

media O presidente francês, Emmanuel Macron, durante seu discurso na COP23, em Bonn, na Alemanha. REUTERS/Wolfgang Rattay

Em seu discurso nesta quarta-feira (15) durante a COP23 em Bonn, na Alemanha, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu que os países europeus se reúnam para “compensar” a falta de apoio financeiro dos Estados Unidos na luta contra o aquecimento do planeta. Washington se retirou do Acordo do Clima adotado em 2015 em Paris alegando que o texto prejudicaria os interesses energéticos norte-americanos.

Uma das primeiras consequências da retirada dos Estados Unidos do acordo foi o corte no financiamento do Grupo de peritos do clima da ONU (GIEC na sigla em inglês). Washington, que contribuía com cerca de US$ 2 bilhões em 2016, suprimiu totalmente a ajuda.

Diante da situação, o presidente francês tentou mobilizar os vizinhos do velho continente. “Eu desejo que a Europa substitua os americanos e posso garantir que a França estará à altura do desafio”, disse Macron. “Garanto que a partir de 2018 não faltará nenhum centavo para que o GIEC possa funcionar e continuar a esclarecer as decisões”, declarou o chefe de Estado, sob aplausos da plateia.

Macron também chamou a atenção para a urgência de uma mobilização mundial pelo clima. Segundo ele, “se não fizermos nada, até 2100 vários dos povos que estão representados aqui terão desaparecido”.

Após a COP23, a França organiza, dia 12 de dezembro em Paris, uma reunião de cúpula para marcar os dois anos da adoção do acordo contra o aquecimento global. De acordo com Macron, o objetivo do encontro é mostrar os primeiros resultados concretos e, principalmente, “mobilizar os financiamentos públicos e privados” necessários.

Cerca de 100 chefes de Estado e de governo foram convidados. Porém, até agora o presidente norte-americano Donald Trump não faz parte da lista dos participantes.

Financiamento das medidas também preocupa o Brasil

O Acordo de Paris estabelece o compromisso dos países industrializados de entregar até US$ 100 bilhões anuais em ajuda aos menos desenvolvidos. Mas esse engajamento está longe de ser cumprido. "Temos preocupações sérias envolvendo as tentativas de modificar as regras de financiamento", advertiu em entrevista coletiva o ministro brasileiro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.

"As negociações estão avançando mais lentamente do que o previsto", alertou a ministra do Meio Ambiente peruana, Elsa Galarza. Ela lembrou que a ausência dos Estados Unidos provocará um rombo de mais de US$ 3 bilhões neste compromisso de financiamento de US$ 100 bilhões.

Após três anos durante os quais o mundo parecia começar a controlar o problema do aquecimento global, 2016 voltou a bater recordes de temperatura. Além disso, segundo os especialistas, até o final de 2017 as emissões de gases que provocam o efeito estufa terão crescido 2%.

(Com informações da AFP)

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