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"Chico Buarque é um pensador do Brasil", diz pesquisador

 
O doutor em Literatura Comparada e especialista na obra de Chico Buarque, Roniere Menezes. RFI/Márcia Bechara

Ele participou de conferência sobre a obra de Chico Buarque na sede da Embaixada brasileira e fala sobre seu livro nesta sexta-feira (3) no Instituto Alter'brasilis, em Paris. O RFI Convida hoje Roniere Menezes, doutor em literatura comparada e autor do livro "O traço, a letra e a bossa: literatura e diplomacia em Cabral, Rosa e Vinicius", publicado pela Editora UFMG em 2011.

Menezes é pesquisador nas áreas de literatura, música popular e cultura brasileira, além de especialista na obra de Chico Buarque. Ele disse não se surpreender com a decisão do compositor, nesta segunda-feira (31), de autorizar o Teatro Oficina a remontar a peça Roda Viva, reencenada pela trupe de Zé Celso Martinez, em 1968. O próprio diretor havia pedido a autorização a Chico numa carta aberta.

“Uma bela notícia nesse momento difícil do Brasil. Fico feliz com a conquista do Zé Celso, que vem tendo problemas para manter o espaço do Teatro Oficina em São Paulo. A peça [Roda Viva] traz uma releitura, há uma sobrevivência de aspectos que o Brasil já viveu no momento de sua primeira encenação. Uma peça bastante marcada na obra de Chico Buarque. Espero que dessa vez não aconteçam os problemas sérios que houve na primeira encenação da peça [quando membros do chamado CCC, o “Comando de Caça aos Comunistas, invadiu a peça e agrediu 19 atores].

Retorno à “canção política”

Roniere Menezes identifica uma volta de Chico Buarque à “canção política” com “Caravanas”, faixa que dá nome a seu último álbum, lançado em agosto de 2017. “Essa música é bastante forte, essa relação classes sociais distintas, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, mas também uma metonímia do próprio Brasil de hoje, as disputas, as diferenças, está muito difícil conviver com as diferenças no país atualmente”, opina o escritor.

“A gente percebe estas questões em ‘Gente Humilde’, onde há um modo de tratar a favela, o morro, a comunidade, de uma maneira muito afetuosa, o canto é lírico, mais leve; agora, em ‘Caravanas’ já é um canto mais duro, mais ríspido até no modo de cantar. (...) Em‘Caravanas’ fica muito evidente a presença incômoda das pessoas do subúrbio que chegam à Zona Sul. Para mim, existe um convite para repensar essas divisões, pensando mais na ética e no afeto pelas pessoas diferentes”, afirma Menezes.

“Acredito que Chico Buarque seja um pensador do Brasil. Dos anos 1960 para cá, o Brasil transita pela obra do Chico. Tem tanto a questão da reflexão social, política, e também uma peculiaridade estética, a música dele foi ficando harmonicamente mais sofisticada. Há também um Chico que não é só aquele voltado para grandes temas, mas para essa política do cotidiano, da ética, pensando no homem comum”, analisa o pesquisador.

(Para ouvir a entrevista com Roniere Menezes na íntegra, clique acima na foto que ilustra esta matéria)


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