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França

Quinta atriz francesa relata assédio sexual de produtor de Hollywood

media A imprensa francesa repercute o escândalo sexual que agita os estados Unidos, Harvey Weinstein chamado de Rei de Hollywood é acusado de agressão por atrizes famosas. Fotomontagem RFI

A atriz francesa Florence Darel revelou nesta quinta-feira (12) que também foi assediada pelo produtor Harvey Weinstein, no centro de um grande escândalo de assédio sexual nos Estados Unidos. As denúncias envolvendo um dos mais poderosos produtores de Hollywood ganharam as manchetes da imprensa francesa.

Florence Darel, que trabalhou principalmente em filmes de cineastas franceses como Eric Rohmer, Claude Berri e Jacques Rivette na década de 1990, explicou ao jornal Le Parisien que foi assediada por Harvey uma primeira vez em 1994. A francesa estava em Nova York para divulgar a estreia de um filme que tinha sido comprado pela Miramax, quando o produtor telefonou insistentemente para ela, a fim de encontrá-la depois da festa. Percebendo a intenção de Weinstein, Darel  disse a ele que tinha um relacionamento com o protagonista do filme, de modo que ele a deixou sozinha. A francesa tinha 26 anos na época.

No ano seguinte, durante uma visita a Paris, Weinstein procurou por ela várias vezes na casa dos pais da atriz. Vendo que Darel evitava falar com ele, o produtor pressionou o agente dela, que disse à atriz que ela não poderia "se dar ao luxo de não ir" a um encontro no hotel onde Weinstein estava hospedado. A francesa acabou cedendo. Em uma suíte do hotel Ritz, o produtor falou sobre um filme que queria fazer e propôs que ela mantivesse relações sexuais com ele. Mais uma vez, Darel conseguiu se livrar de Weinstein com uma desculpa esfarrapada. Porém, segundo Darel, o fato de ter resistido ao assédio do produtor prejudicou sua carreira nos anos seguintes.

Desde a semana passada, intérpretes como as americanas Mira Sorvino, Rosanna Arquette, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, além das francesas Emma de Caunes, Judith Godrèche, Léa Seydoux e Cara Delevingne descreveram as situações de assédio experimentadas com o produtor. Três mulheres o acusaram de estupro: a estrela italiana Asia Argento, a atriz Lucia Evans e uma terceira que permanece anônima. Por meio de um porta-voz, Weinstein afirmou que todas as relações sexuais foram consentidas.

Escândalo ganha as manchetes da imprensa francesa

"Escândalo sexual no coração do cinema", escreve nesta quinta-feira (12) o diário Le Parisien. Em sua capa, o jornal publica uma foto de Weinstein vestido de smooking e rodeado de imagens de algumas das atrizes que saíram do silêncio para denunciar as agressões sofridas pelo chamado "Rei de Hollywood".

Imperador do cinema, mas também agressor sexual, continua a reportagem do jornal, referindo-se à avalanche de denúncias que pesam sobre o famoso produtor de cinema. "O casting é brilhante, mas o roteiro é terrível", observa a reportagem.

Weinstein, de 65 anos, levava atrizes e candidatas a estrelas a quartos de hotéis na Califórnia ou em Cannes, transformados em escritórios e salas de reuniões, com a desculpa de realizar leituras de textos, discutir contratos e a promoção de filmes. Mas o local servia para propor ou impor relações sexuais com as mulheres, relata Le Parisien.

O jornal diz que Weinstein era conhecido em Cannes, onde acontece o prestigiado festival de cinema francês, por promover festas regadas a sexo e drogas. Ele marcava encontros até em iates e tinha o apelido de "O Porco".

O jornal Libération diz que caiu a máscara do produtor de Hollywood. Há uma semana, desde as primeiras revelações do The New York Times, seguidas pela reportagem da revista New Yorker, as denúncias não param. É o fim de um segredo de polichinelo em um meio que durante anos ficou paralisado pelo poder do magnata.

Libération lembra que o nome de Weinstein está ligado a sucessos como Pulp Fiction, Shakespeare in Love e The Artist, que ganhou vários Oscars e rendeu ao produtor a Legião de Honra da França em 2012. Seu poder se estendia da produção à distribuição de filmes, mas desde a semana passada, ele é sinônimo de agressão e acusações de estupro. Segundo o texto, Weinstein é um "ogro dos tempos modernos" protegido por muito dinheiro e técnicas sofisticadas de intimidação. Mas a lei do silêncio que vigou por mais de duas décadas no meio cinematográfico americano foi rompida, provocando a demissão do produtor até da empresa que leva seu nome.

Citado 1.400 vezes em cerimônias do Oscar

Já são mais de 20 atrizes revelando os métodos usados pelo magnata de Hollywood. A italiana Asia Argento declarou que foi estuprada por ele aos 21 anos. Por meio de uma assessora, o cofundador da poderosa produtora Miramax nega que tenha mantido relações forçadas com as mulheres.

Le Figaro traz um perfil do homem que dominou todos os canais de produção, distribuição e promoção de filmes nos Estados Unidos. O rei destituído de Hollywood foi o título escolhido para ilustrar a extensa reportagem. "Até a semana passada, Weinstein era o homem mais poderoso de Hollywood depois de Steven Spielberg e Deus". "Nas cerimônias do Oscar, seu nome foi citado em agradecimentos de 1.400 profissionais premiados", nota o diário. Mas agora ele se tornou um psicopata perverso, diz a publicação. Weinstein, que também já foi condecorado com a Ordem do Império Britânico pela rainha Elisabeth II, não tem mais ninguém que o defenda.

Nem mesmo sua mulher, 24 anos mais nova, que anunciou a separação depois que o escândalo sexual veio à tona. Le Figaro lembra que o produtor era também um grande financiador de campanhas eleitorais de candidatos do Partido Democrata. Mas até o ex-presidente Barack Obama, que o recebeu na Casa Branca, reagiu. Em um comunicado, disse que "todo homem que se comporta de maneira degradante com as mulheres, deve ser condenado e responsabilizado por seus atos, não importa sua riqueza ou seu status".

Fotomontagem com as atrizes Florence Darel e Lea Seydoux. Dia Dipasupil / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP/ PASCAL GUYOT

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