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França

Mais de 100 mil funcionários públicos estão em greve na França

media Greve do funcionalismo na França paralisa escolas e hospitais públicos contra as reformas do presidente Emmanuel Macron. REUTERS/Charles Platiau/File Photo

De enfermeiros a professores, de empregados dos ministérios às autoridades locais, os funcionários públicos (5,4 milhões de franceses) entraram em greve nesta terça-feira (10) na França e protestaram contra os "ataques" do governo durantes manifestações que reuniram dezenas de milhares nas principais cidades do país.

"Macron, olha seu Rolex, está na hora da revolta": em Saint-Nazaire (oeste), Nice (sul) ou em outros grandes centros franceses, o presidente Macron foi alvo do descontentamento nos protestos que denunciaram um "ras-le-bol" (“chega”, em tradução livre) geral, respondendo à chamada de todos os sindicatos de serviços públicos (CGT, CFDT, FO, Unsa, FSU, Solidaires, CFE-CGC, CFTC e FA), uma união grevista que não acontecia há dez anos na França.

"O serviço público: uma riqueza para todos, não um custo!" ou "Hospital em estado de emergência", eram algumas mensagens presentes nos cartazes de protesto em Nantes, uma das maiores cidades do noroeste da França, onde cerca de oito mil manifestantes em greve marcaram presença nesta terça-feira (10).

Os últimos números da imprensa francesa falam em mais de 100 mil manifestantes em 26 cidades da região, de acordo com os sindicatos, e 55 mil, de acordo com as autoridades, em centros como Lyon, Bordeaux, Rouen e Saint-Denis de la Reunion. Em Paris, milhares de funcionários públicos se reuniram na praça da República, palco tradicional de protestos da capital francesa.

Precarização do serviço público?

Os grevistas protestam contra as ameaças de redução de cerca de 120 mil postos de trabalho até o final do mandato de Macron, do congelamento dos salários e dos questionamentos sobre seu estatuto. Os nove sindicatos franceses de funcionários públicos exigiram esse dia de greve e manifestações para expressar seu "profundo desacordo" com o governo e denunciaram "uma série de ataques" sem precedentes.

O premiê francês, Edouard Philippe, não voltou atrás e disse que "assumiu plenamente as medidas tomadas", assegurando que os funcionários "não foram desconsiderados" e que eles são "até mesmo essenciais no funcionamento do nosso país". Para Mylène Jacquot, porta-voz do sindicato CFDT, a estagnação do poder de compra, uma das promessas de campanha de Emmanuel Macron, foi a “gota d’água” para estourar a greve no funcionalismo público francês.

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