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França

“Acordo de Paris não será renegociado”, diz Macron na ONU

media O presidente francês, Emmanuel Macron, na ONU. REUTERS/Eduardo Munoz

Assim como Donald Trump, Emmanuel Macron fez sua estreia nesta terça-feira (19) diante da tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. No entanto, o discurso do presidente francês deixou claro que França e Estados Unidos têm pontos de vista diferentes sobre vários assuntos globais.

A respeito do Irã, Macron declarou que o acordo assinado entre Teerã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha era “sólido e robusto, permitindo verificar que o Irã não vai construir uma arma nuclear”.

Para o francês, “não respeitar o documento sem outra proposta alternativa seria um grande erro, e não respeitá-lo seria irresponsável”, acrescentou. Antes de Macron, Trump chamou o acordo, assinado durante a administração Obama, de “vergonha para os Estados Unidos”.

Macron reconheceu que o documento não vai verificar atividades após 2015 e não trata de outras preocupações ocidentais e regionais sobre o programa iraniano de mísseis balísticos. Ele fez um apelo para que isso seja feito através da diplomacia. “Precisamos ser rigorosos, mas não há necessidade de desfazer acordos que já trouxeram segurança”, disse.

Seguindo cartilha

Inspetores da ONU constataram que o governo de Teerã está cumprindo com as regras estabelecidas, incluindo as restrições no enriquecimento do urânio, fundamental para a construção de armas nucleares.

Sobre o Acordo do Clima de Paris, Trump já tinha declarado que os EUA vão sair do tratado. Dessa forma a maior economia do mundo e segundo emissor de dióxido de carbono se junta à Síria e Nicarágua, que também abandonaram as negociações. “As portas vão permanecer abertas”, disse Macron. “Mas o acordo não vai ser renegociado”, afirmou.

O Acordo de Paris, assinado por 195 países, prevê que cada governo estabeleça seu plano para cortar as emissões de carbono e contribuir para o objetivo global de manter o aumento da temperatura do planeta em 2°C.

Proteção para jornalistas

O presidente francês fez ainda um apelo pela criação de um representante especial da ONU para a proteção de jornalistas no mundo. Apesar da relação distante que o chefe de Estado insiste em manter com os profissionais na França, ele interveio recentemente junto ao governo turco pela libertação do jornalista francês Loup Bureau, que ficou preso 50 dias antes de ser solto.

De acordo com seu último relatório publicado em abril, a associação Repórteres sem Fronteiras estimava que “nunca a liberdade de imprensa esteve tão ameaçada”. O levantamento em 180 países revelou “condições difíceis” ou “muito graves” em 72 nações, incluindo China, Rússia, Índia, quase todos do Oriente Médio, da Ásia Central e América Central, além de dois terços dos países africanos.

Depois do discurso no palanque da ONU, durante uma entrevista coletiva, Macron foi interrogado sobre o presidente sírio, Bachar al Assad. O presidente francês declarou que trata-se de um “criminoso”, que deve ser julgado pela justiça internacional.

(com informações da AFP)

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