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França

Em Paris, líderes de facções rivais da Líbia concordam com cessar-fogo e eleições

media Emmanuel Macron recebe Fayez al-Sarraj e Khalifa Haftar Reuters

Os líderes de duas facções rivais na Líbia, o marechal Khalifa Haftar, que controla o leste do país, e o primeiro-ministro do governo em Trípoli, Fayez el-Sarraj, estão dispostos a estabelecer um cessar-fogo e realizar eleições, segundo um projeto de declaração de uma reunião em Paris.

O projeto foi divulgado antes do encontro entre Sarraj e Haftar nesta terça-feira (25) no castelo de Celle-Saint-Cloud, propriedade do Ministério francês das Relações Exteriores a 12 km da capital francesa.

Segundo fontes diplomáticas, os dois rivais concordaram com uma declaração conjunta, mas o texto divulgado de forma antecipada pelo governo francês não é a versão definitiva.

Com mediação do anfitrião, o presidente Emmanuel Macron, este é o segundo encontro entre os dois líderes em três meses, após a reunião em maio em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Em 10 pontos, o projeto de declaração reafirma que apenas uma solução política permitirá que a Líbia saia da crise. Além disso, ele reitera os acordos de Skhirat, assinados em 2015 sob mediação das Nações Unidas.

O cessar-fogo não se aplicaria à luta contra o terrorismo, ressalta o texto, que pede ainda a desmobilização das milícias e a formação de um Exército regular.

Reconhecimento internacional

El-Sarraj, líder do frágil Governo de União Nacional (GNA), conta com o reconhecimento da comunidade internacional, enquanto Haftar contesta sua legitimidade e acumula vitórias militares no terreno.

Eles serão recebidos individualmente por Macron, antes de uma reunião conjunta na presença do novo emissário da ONU para a Líbia, Ghassan Salame, que assumiu a função esta semana.

A rivalidade política e os combates entre as milícias rivais impediram a Líbia de se recuperar do caos desde a rebelião de 2011, que derrubou o ditador Muammar Kadhafi. Ele acabou assassinado.

O GNA Sarraj teve dificuldade para impor sua autoridade desde que começou seu trabalho em Trípoli, em março de 2016. A administração rival de Haftar, com sede no leste do país, não reconhece esse governo.

Os serviços de Inteligência ocidentais temem que os extremistas do Estado Islâmico (EI) se aproveitem do caos para criar redutos na Líbia, à medida que estão sendo expulsos do Iraque e da Síria.

A Líbia também se tornou o ponto de partida de milhares de migrantes africanos que querem chegar à União Europeia (UE), viajando pelo mar até a Itália em embarcações precárias.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, disse ao jornal Le Monde em junho que a Líbia é "prioridade" para o presidente Macron.

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