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França

Líderes muçulmanos lançam “marcha contra terrorismo” em Paris

media Lideranças religiosas muçulmanas lançaram neste sábado (8) em Paris a "marcha contra o terrorismo", que deve percorrer diversos países europeus que foram alvos de ataques de extremistas. REUTERS/Pascal Rossignol

Líderes religiosos muçulmanos da França, mas também de outros países europeus, lançaram neste sábado (8) em Paris uma "marcha contra o terrorismo". O movimento seguirá em caravana a lugares que foram vítimas de ataques na Alemanha e na Bélgica, assim como em território francês. A palavra de ordem é "não associar os muçulmanos a crimes cometidos em nome do Islã".

Eles eram apenas cerca de trinta imãs, como são conhecidos os sacerdotes islâmicos, que saíram em caravana numa “marcha dos muçulmanos contra o terrorismo” da emblemática avenida de Champs Elysées, em Paris, um "símbolo da unidade nacional" e palco de recente ataque jihadista, com a esperança de "lançar uma movimento de grande magnitude na Europa", segundo a imprensa francesa presente no local.

"Nossa mensagem é clara: não podemos associar o Islã a bárbaros e assassinos que matam em nome de Alá”, disse o imã Hassen Chalghoumi, idealizador da marcha, apoiada pelo intelectual e escritor judeu de origem polonesa Marek Halter. Rodeado por cerca de trinta lideranças muçulmanas de diferentes regiões da França, mas também da Itália, Portugal e Bélgica, ele convocou uma "mobilização da sociedade civil", após os ataques jihadistas que fizeram recentemente centenas de vítimas no continente. "Sete mil jovens partiram em direção ao Iraque ou Síria”, completou Chalghoumi.

Polêmica na “marcha contra o terrorismo”

Conhecido por sua postura contra o Islã fundamentalista e sua amizade com a comunidade judaica, o que tem lhe valido críticas e ameaças, Hassen Chalghoumi, ex-imã de Drancy (subúrbio ao norte de Paris), é amplamente rejeitado por outras lideranças muçulmanas.

Questionado sobre a ausência de fiéis durante o lançamento da "marcha dos muçulmanos contra o terrorismo" e sobre a rejeição de sua iniciativa pelo Conselho Francês da Fé Muçulmana (CFCM, interlocutor do governo francês), Chalghoumi se recusou a “entrar em controvérsias”, apontando que era necessário questionar os motivos daqueles que" criticam a iniciativa de uma marcha contra os bárbaros ".

“Iniciativa histórica”

O imã de Lisboa, David Munir, por sua vez, elogiou "uma iniciativa histórica na Europa": "algumas pessoas cometem crimes em nome do Islã, estamos aqui para dizer 'não [realizem ataques] em nosso nome’. Não para dizer que o Islã é uma religião de paz, isso vocês já sabem, mas para dizer que nós procuramos nossa identidade aqui, uma identidade europeia ", afirmou.

A caravana que começou neste sábado (8) e termina no feriado nacional de 14 de Julho na França, país que abriga a maior comunidade muçulmana da Europa, com mais de 3,5 milhões de fiéis. A delegação de imãs vai viajar de ônibus para diferentes lugares, marcados por recentes ataques terroristas, como Berlim, Bruxelas, Saint-Etienne-du-Rouvray, Toulouse e Nice.

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