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França

Diretor japonês sublima tragédia grega Antígona com roupagem budista em Avignon

media Satoshi Miyagi transformou o palco de um palácio medieval num grande lago, sobre o qual os 30 intérpretes, vestidos de branco, parecem deslizar. Christophe Raynaud De Lage

Com uma montagem delicada e sofisticada, o diretor japonês Satoshi Miyagi fascinou o público e a crítica no Festival de Avignon com sua adaptação de Antígona. Ele transformou o palco de um palácio medieval num grande lago, sobre o qual os 30 intérpretes, vestidos de branco, parecem deslizar. Influenciado pelo budismo, pelo teatro de marionetes japonês, Bunraku, e pelo Teatro de Sombras indonésio, Miyagi dá uma dimensão mágica a essa tragédia considerada o primeiro símbolo da desobediência ao poder.

A tragédia de Sófocles, escrita no ano 441 A.C. relata a revolta de Antígona, contra o déspota Creonte de Tebas, que decide impedir um funeral digno, dentro das tradições da época, a seu irmão Polinice, que morre num duelo contra seu outro irmão Etéocles. Antígona enfrenta a lei e enterra seu irmão, com todos os rituais, mesmo sabendo que será condenada à morte.

A tragédia de Sófocles, escrita no ano 441 A.C. relata a revolta de Antígona, contra o déspota Creonte de Tebas, que decide impedir um funeral digno, dentro das tradições da época, a seu irmão. Christophe Raynaud De Lage

A peça propõe uma profunda reflexão sobre a rígida divisão entre o bem e o mal, sobre a desobediência civil diante da “razão de Estado”, sobre o embate entre os valores humanos e a imposição das leis. Por isso, é um dos textos mais adaptados ao teatro contemporâneo. Miyagi criou essa versão da peça em 2004 em Delfos na Grécia e a transforma num espetáculo magistral encenando-a agora no Palácio dos Papas em Avignon.

“A água divide o mundo mortal do imortal” diz Miyagi

Recorrendo ao budismo, o diretor japonês decidiu montar essa peça num palco transformado em lago, sobre o qual os intérpretes deslizam vestidos com tecidos brancos e fluidos de organza, o que proporciona ao público a sensação de viver algo onírico, irreal. Segundo ele, a água, muito importante na Grécia Antiga, é também vital para os japoneses. Ela simboliza a passagem dos mortos para o além, o limite entre o mundo dos vivos e dos mortos.

Influenciado pelo budismo, pelo teatro de marionetes japonês, Bunraku, e pelo Teatro de Sombras indonésio, Miyagi dá uma dimensão mágica a "Antígona". Christophe Raynaud De Lage

Satoshi Miyagi se propõe com essa adaptação de Antígona fazer uma ponte entre o Ocidente e o Oriente. Ele aproveita as paredes de mais de 30 metros de altura do Palácio dos Papas de Avignon –um dos ícones da religião cristã – para projetar nelas as sombras dos intérpretes, influência do teatro Wayang da Indonésia.

Porque Antígona em 2017? À essa pergunta dos jornalistas, ele responde: “Nos conflitos atuais cada um se coloca do lado de Deus e coloca o ‘outro’ do lado do Diabo. É preciso pensar o ‘outro’ de uma maneira diferente. Não podemos separar o mundo entre os bons e os maus. Temos que enterrar nossos mortos da mesma maneira, sem julgar o que eles fizeram de bem ou mal. Polinice é o irmão que traiu Tebas, mas ele tem direito ao ritual reservado aos mortos”. Segundo ele, é preciso compreender o mundo de Antígona.

Um intérprete para a palavra, outro para gesto

Cada personagem da peça é interpretado por dois atores ou atrizes: um deles se expressa com palavras, o outro com movimentos. Christophe Raynaud De Lage

A sofisticação dessa adaptação da Antígona se deve ainda a um trabalho desenvolvido pelo diretor japonês desde os anos 80. Cada personagem da peça é interpretado por dois atores ou atrizes: um deles se expressa com palavras, o outro com movimentos. Para Miyagi, a palavra e o movimento são elementos distintos para um intérprete e ele sempre quis mostrar essa separação.

Para isso ele se inspira nas tradições do teatro de marionetes japonês Bunraku. Essa “duplicação” de personagens transforma essa adaptação de Antígona numa incrível coreografia, contribuindo ainda mais para o efeito surreal desse espetáculo.

Recompensado por diversos prêmios, Satoshi Miyagi, já participou do Festival de Avignon em 2014 com uma adaptação da saga indiana Mahabharata. Diretor do Centro de Artes Cênicas de Shizuoka no Japão, ele trabalha com jovens dramaturgos incentivando a mistura entre tradições japonesas e influências diversas do teatro contemporâneo. Ele organiza também um festival internacional de teatro na cidade, para onde convida anualmente grandes diretores.

Antígona, de Satoshi Miyagi fica em cartaz no Festival de Avignon até 12 de julho.

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