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Especialistas contestam reforma trabalhista concebida pelo "melhor amigo" de Macron

Especialistas contestam reforma trabalhista concebida pelo
 
O presidente francês, Emmanuel Macron (direita), e o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, no dia 6 de julho no Palácio do Eliseu. REUTERS/Gonzalo Fuentes

A semana foi movimentada pelo anúncio das diretrizes de governo do presidente francês, Emmanuel Macron. A reforma trabalhista, a proposta mais explosiva nesse início de mandato, continua em debate nas revistas semanais e é alvo de críticas de especialistas.  

O melhor amigo do presidente desde a universidade, padrinho de casamento e economista Marc Ferracci, professor da Sorbonne, ganha um perfil na revista do jornal Les Echos. De tendência progressista, o corsa Ferracci, de 39 anos, elabora as mudanças no Código do Trabalho francês com mais dois economistas renomados, Philippe Aghion e Pierre Cahuc. O trio tem uma meta definida: diminuir a taxa de desemprego na França para 7% até o fim do mandato de Macron, em 2022, contra cerca de 10% atualmente.

A amizade com Macron é um algo mais. Por outro lado, ninguém põe em dúvida que o economista da Sorbonne possui as credenciais para o cargo. O que dá arrepios em alguns colegas, nos líderes sindicais e também gera desconfiança entre os trabalhadores é o fato de que Ferracci estaria tomando o caminho errado.

Para dar prova de boa fé, Ferracci constituiu equipes de pesquisadores para documentar os efeitos da reforma "antes" e "depois" de sua aplicação. A França entrou numa fase de "laboratório". Só que a experiência envolve vidas e famílias.

Flexibilidade arriscada para o trabalhador

O economista propõe medidas que devem dar ao mercado de trabalho francês uma flexibilidade semelhante à praticada nos Estados Unidos e no Reino Unido, sem ir tão longe, com garantias de proteção social aos trabalhadores no estilo de países como Alemanha e Dinamarca, explica a revista do Les Echos.

Enquanto as negociações já iniciadas com os sindicatos não produzem o pacote final de medidas, a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) marcou uma greve preventiva para 12 de setembro, momento em que a reforma deverá estar costurada.

Na revista L'OBS, o economista Philippe Askenazy e o jurista Antoine Lyon-Caen, dois grandes especialistas na área, criticam duramente a visão de Macron. Autor do livro "O Trabalho e a Lei", o advogado Lyon-Caen diz que o projeto do governo é focado na mobilidade dos trabalhadores, sem garantir as condições de estabilidade necessárias para as empresas ganharem em competitividade.

O economista Askenazy também denuncia uma visão "centrada no indivíduo e na propriedade do capital". "A equipe de Macron vê a justiça trabalhista e a atividade sindical, esferas intermediárias entre acionistas e trabalhadores, como obstáculos a serem removidos. A visão liberal e otimista de Macron, de que tudo pode ser resolvido por meio de negociação direta e consensual no ambiente de trabalho, não coincide com a realidade das empresas e as expectativas dos trabalhadores", enfatiza Askenazy.

O debate nas revistas semanais dá o tom da queda de braço que será a aprovação dessa reforma.


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