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França

Macron é chamado de “monarca republicano” e "intelectual" pela imprensa

media A imprensa francesa desta terça-feira 4 de julho analisa o discurso do presidente Emmanuel Macron diante do Congresso que se reuniu em Versalhes nesta segunda-feira (03). Reprodução

A imprensa francesa desta terça-feira (4) analisa o discurso solene do presidente Emmanuel Macron diante do Congresso reunido em Versalhes na segunda-feira (3). A fala do presidente "monarca republicano" decepcionou o jornal Libération. Les Echos e Aujourd'hui en France chamam Macron de "intelectual".

O discurso de Emmanuel Macron foi “longo e vago”, sem nenhum anúncio concreto, a não ser sobre a reforma das instituições, critica Libération. O jornal progressista diz que a fala do presidente só interessou os deputados e senadores de seu próprio campo. Um deputado socialista, da oposição, diz que Macron abordou quase tudo, menos o que realmente interessa os franceses, isto é, o poder de compra, emprego, saúde e segurança profissional.

Comunistas e parlamentares do partido da esquerda radical A França Insubmissa boicotaram o evento. Uma centena de manifestantes protestaram na porta do Palácio de Versalhes, na periferia de Paris, contra um "obstáculo ao equilíbrio de poderes". Dois meses depois de sua vitória triunfante, Macron detalha o programa do mandato que o povo concedeu a ele e a sua maioria, fazendo uma mistura entre um registro majestoso e coletivo.

Mas, segundo Libération, a imprecisão do discurso presidencial agradou o primeiro-ministro Édouard Philippe, que temia ser eclipsado pelo presidente na véspera de seu discurso de política geral, na tarde desta terça-feira na Assembleia. O premiê deve ser hoje mais concreto, escreve em peso toda a imprensa.

Temas que incomodam

Macron deixou para o primeiro-ministro os temas que incomodam, avalia Le Figaro. E em 2017 esses problemas são gigantescos, alerta o jornal conservador: dívida, política fiscal, código do trabalho, imigração, insegurança.

Caberá a Édouard Philippe em seu discurso aos deputados na Assembleia esclarecer se, diante da situação calamitosa das finanças públicas, o governo irá rever algumas promessas de campanha, principalmente sobre o fim do imposto sobre a fortuna. O premiê também deve dar os detalhes da reforma institucional anunciada pelo presidente, como a redução do número de parlamentares e a introdução do sistema de voto proporcional na eleição legislativa francesa.

Em seu editorial, Le Figaro diz que essa divisão de papeis entre a presidência e a sede do governo não prejudica, por enquanto, a popularidade de Macron, mas os franceses serão implacáveis se os resultados da política implementada pelo governo não forem satisfatórios, acredita o diário.

Presidente intelectual

Les Echos vê em Macron um intelectual e salienta que, segundo a determinação do presidente, ação e reconciliação nacional caminharão juntas. O chefe de Estado promete fazer a reforma institucional na França em um ano, detalha o jornal econômico.

Aujourd'hui en France diz que Macron não muda a República mas sacode a poeira do regime. Uma editorialista do diário escreve que ele é "o príncipe esclarecido de Machiavel". O presidente fez um discurso intelectual, alimentado de referências. O texto ressalta que ao escolher a fórmula “momento de alta transformação”, Macron matou a palavra reforma, antecipando que no final de seus cinco anos de mandato a França será diferente.

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