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França

Morre Simone Veil, responsável pela legalização do aborto na França

media A ex-ministra francesa Simone Veil, defensora da descriminalização do aborto na França, faleceu em 30 de junho de 2017, aos 89 anos REUTERS/Charles Platiau/File Photo

Simone Veil, a sobrevivente de Auschwitz que se tornou uma figura imponente na política francesa por sua luta para legalizar o aborto, foi saudada nesta sexta-feira (30), como "o melhor da França" após sua morte, aos 89 anos.

Veil, um ícone dos direitos das mulheres, que foi eleita a primeira presidente do Parlamento Europeu, em 1979, morreu esta manhã em sua casa, disse seu filho, o advogado Jean Veil. O comunicado gerou reações imediatas da classe política.

Expressando suas condolências, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu "que seu exemplo inspire os nossos concidadãos, como o melhor do que a França pode alcançar". O antecessor de Macron, François Hollande, disse que Veil "incorporou dignidade, coragem e retidão moral".

"A França perdeu uma figura histórica rara", afirmou o primeiro-ministro francês Edouard Philippe. A líder do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, disse que Veil "inegavelmente deixou sua marca na vida política francesa".

A prefeita socialista de Paris, Anne Hidalgo, irá propor ao Conselho municipal atribuir o nome de Simone Veil para "um lugar marcante da capital", disse ela em um comunicado. "Nosso país perde agora não só uma de suas mais belas figuras de engajamento, mas também uma das sementes de sua harmonia e coesão", disse Hidalgo, acrescentando que "nossa cidade não se esquecerá daquela que está registrada na tradição da linha de combatentes pela liberdade ", acrescentou.

O ex-presidente Valery Giscard d'Estaing, a quem Veil serviu como ministra da Saúde na década de 1970, disse: "Ela era uma mulher excepcional que experimentou as maiores alegrias da vida e suas maiores tristezas também".

Feminismo e Europa

Com o feminismo, a Europa - e mais genericamente a paz - foi a grande causa da vida de Simone Veil. Ela, a jovem deportada, tornou-se a primeira presidente do novo Parlamento Europeu em 1979. "No final da guerra, nós [ela e seu marido] estavámos convencidos de que era necessária uma conciliação completa com os alemães e que, se não fizéssemos isso, haveria uma Terceira Guerra Mundial", confidenciou Simone Veil, em 2008, em uma entrevista na televisão.

A filósofa feminista Elisabeth Badinter saudou a memória de Simone Veil, “que personificou e ganhou a luta mais fundamental para as mulheres, a da livre disposição de seus corpos", disse.

Nascida Simone Jacob na cidade mediterrânea de Nice em 13 de julho de 1927, Veil foi deportada para Auschwitz em 1944. Seu pai, mãe e irmão morreram nos campos de extermínio nazistas, enquanto ela e suas duas irmãs sobreviveram. Após a guerra, estudou direito e se casou com Antoine Veil, que morreu em abril de 2013. O casal teve três filhos.

Como jovem juíza, ela pressionou por melhorar as condições nas prisões francesas antes de se lançar na batalha para acabar com os abortos clandestinos. Quando o então presidente Giscard d'Estaing solicitou, no outono de 1978, que Viel se tornasse sua ministra da Saúde, ela não hesitou em aceitar.

Aborto, a grande conquista

Sua principal conquista como política foi a promulgação da lei aborto de 1974, no Parlamento francês, após um debate de 25 horas durante o qual ela sofreu uma torrente de acusações, com alguns legisladores comparando a interrupção voluntária da gravidez ao Holocausto. "Nunca imaginei o ódio que eu iria desencadear", disse a ex-ministra da Saúde depois da aprovação da lei.

Uma firme crença na integração europeia também a levou a ser a primeira presidente eleita do Parlamento Europeu em 1979, cargo que manteve por três anos. Ela era considerada uma das figuras mais populares e confiáveis ​​da França. Participava frequentemente das comemorações pelo fim da Segunda Guerra Mundial e, como republicana, se posicionava contra o partido de extrema-direita Frente Nacional.

O diário francês “Le Monde” destacou que, como muitos sobreviventes, Simone Veil nunca escondeu que parte essencial de sua vida tinha acontecido durante os longos meses em Auschwitz-Birkenau. "Eu tenho a sensação de que no dia em que eu morrer, é no Holocausto que eu pensarei", ela declarou, em 2009. Ao contrário de alguns deportados, ela manteve durante toda a sua vida, em seu braço esquerdo, o registro 78651, feito no campo de concentração. "Alguns sobreviventes preferiram virar a página, apagando o número que os nazistas tatuaram em seus braços, outros decidiram confrontar a memória", disse seu filho Pierre-François. “No verão, ela era frequentemente vista de braços nus, seu número era visível até hoje. "

(Informações da AFP e RFI)

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