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França

Francesa que ajudou migrante a chegar à Inglaterra "por amor" pode ser presa

media Béatrice Huret escreveu um livro sobre sua história de amor com o migrante iraniano Mokhtar. REUTERS/Pascal Rossignol

A história da francesa Béatrice Huret ganhou as páginas dos jornais franceses e comoveu o país. Ela foi considerada culpada, mas isenta de pena, na terça-feira (27), por ter ajudado um imigrante iraniano - pelo qual se apaixonou - a entrar em território britânico. A Justiça informou nesta quarta-feira (28), no entanto, que vai recorrer da decisão e que ela pode pegar até um ano de prisão.

A ex-auxiliar de enfermagem de 44 anos, simpatizante da extrema-direita e viúva de um policial, se apaixonou pelo migrante iraniano Mokhtar no ano passado, quando o ajudou a organizar uma viagem da chamada "Selva de Calais" à Inglaterra. Huret foi julgada por "organização criminosa" e por "colocar em risco a vida de terceiros".

A francesa, que mora a 25 quilômetros de Calais, conheceu o acampamento de migrantes no norte da França por coincidência, ao dar carona a um jovem sudanês até o local, onde viveram de 6 mil a 10 mil migrantes em condições insalubres, até ser esvaziado em 2016. "Me incomodou ver todas aquelas pessoas, caminhando em meio à lama", lembra ela.

Comovida, se tornou colaboradora no acampamento e, um ano mais tarde, conheceu Mokhtar, um professor de língua persa de 37 anos. O iraniano foi um dos manifestantes que se revoltou contra o fechamento de parte do acampamento e costurou os lábios como forma de protesto.

Namoro pelo Google Translate

"Meu inglês se limitava a 'hello, thank you, goodbye'. Por isso, não falei com ele imediatamente. Ele que se levantou para me trazer chá, pareceu-me gentil, tranquilo, e seu olhar... foi paixão à primeira vista", conta. A comunicação entre os dois era ajudada pelo Google Translate, plataforma de tradução online.

Passados dois meses, um outro colaborador da "Selva" pediu que Huret alojasse Mokhtar, que planejava ir até a Inglaterra de caminhão. Ela aceitou, mas o plano fracassou. O iraniano acabou permancecendo um mês na casa da mulher que vive com a mãe, de 76 anos, e com o filho, Florian, de 19 anos.

A situação foi um tanto controversa para a francesa que apoiava o partido da extrema-direita Frente Nacional, que, ironicamente milita contra a chegada e a permanência de migrantes na França e na Europa. Mas o amor falou mais alto. A ex-auxiliar de enfermagem ajudou o iraniano a planejar a atravessar o Canal da Mancha com outros dois migrantes rumo à Inglaterra via barco, comprado pela própria francesa. "Se eu não tivesse feito isso, eles teriam achado outra pessoa para fazê-lo. Era o objetivo deles, e não pude fazer nada para convencê-los do contrário", explica.

"Não acredito ter feito nada de ilegal"

Dois meses após a viagem de Mokhtar rumo à Inglaterra, a francesa foi convocada a depor na delegacia, onde o seu ex-marido trabalhava. "Disse-lhes toda a verdade, porque não acredito ter feito nada de ilegal", admite.

Depois, ela teve de enfrentar o tribunal. A Justiça finalmente considerou Huret culpada, mas a isentou de pena. Os juízes de Boulogne-sur-mer, no norte da França, não mantiveram as acusações com circunstâncias agravantes de "organização criminosa" e de "colocar em risco a vida de outros", como pedia o Ministério Público. No entanto, nesta quarta-feira, a advogada de Huret informou à imprensa que o tribunal vai recorrer da decisão.

O professor vive atualmente em Sheffield, na Inglaterra, onde conseguiu um visto de trabalho. A cada dois fins de semana, Huret vai visitá-lo. Seu inglês até melhorou: "Entendo tudo, mas continuo tendo dificuldade para falar", diz.

A ex-auxiliar de enfermagem publicou um livro neste ano sobre sua história de amor com Mokhtar à qual pretende dar continuidade. "O objetivo da minha vida é ele. Estou disposta a dar minha vida por ele. A única coisa que me preocupa é que não poderei vê-lo, se eu for para a prisão", declarou na terça-feira, na saída do tribunal de Boulogne-sur-mer.

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