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França

Robôs que identificam emoções humanas dominam a feira Viva Technology em Paris

media O robô Pepper recebe os visitantes na Viva Technology Augusto Pinheiro/RFI

O tema da inteligência artificial (IA) e dos robôs domina a segunda edição da feira tecnológica francesa Viva Technology, no centro de convenções Porte de Versailles, em Paris.

O evento, que começou na quinta-feira (15) e termina neste sábado (17), reúne grandes empresas e start ups da França e de outros países, com especial destaque para a China este ano.

"A IA fascina todo mundo. Ela provoca medo em alguns e dá esperança para outros. Este ano ela está presente particularmente nos chatbots (programas de computador que tentam simular um ser humano em uma conversa) e nos robôs. O tema ligado aos robôs humanoides está muito presente. Ainda não há grandes realizações no momento, mas é um importante assunto para a reflexão", explica Nicolas Douchement, co-fundador da feira , em entrevista à RFI Brasil.

Nicolas Douchement, co-fundador da Viva Technology Divulgação

Ele diz que faz parte "daqueles que acreditam que os robôs apenas substituirão os humanos que trabalham como robôs". "Os humanos que têm inteligência e sabem dar um conselho não serão substituídos. É a complementaridade que nos interessa".

Já na entrada o público é recebido pelos simpáticos robôs Peppers, que, a partir do que é selecionado em um monitor táctil, dão informações sobre o programa. Os humanoides, fabricados pela SoftBank, também têm um sistema de percepção das emoções e adaptam seu comportamento em função do humor do seu interlocutor.

No Japão, diversas lojas usam o Pepper para receber, informar e divertir os clientes - mas ele também está presente como companheiro em diversos lares. "Ele pode reconhecer seu rosto, falar, escutar e se deslocar de maneira autônoma", explica a empresa.

Dumy, mais um membro da família

Na mesma linha, a start up espanhola A Robotic Life, com sede em Andorra, apresenta Dumy, descrito pelo  fundador da empresa, Javier Lamas, como "mais um membro da família". "Foi pensado para viver em casa conosco. Entre suas várias funções está nos proteger. Tem vários sensores, que detectam fogo, fumaça e diferentes tipos de gases, como propano, metano e butano. Dumy está conectado a um aplicativo, que deve ser instalado no celular. Em caso de acidente, Dumy se comunica com a pessoa", diz.

Lamas explica que também é possível "configurá-lo com um serviço de emergência, como bombeiro, polícia ou ambulância". "Ele realiza uma ligação automática com um texto pré-gravado e com o endereço da casa", afirma o diretor.

Javier Lamas, da A Robotic Life, com Dumy Augusto Pinheiro/RFI

"Dumy também pode ser conectado a pulseiras que monitoram o ritmo cardíaco e a respiração ao dormir. É muito bom para crianças e pessoas idosas. Se houver alguma anomalia, ele avisa a um familiar através do aplicativo ou ao serviço de emergência", explica Lamas.

Para completar, o pequeno robô também se move de forma autônoma e interage com as crianças, contando contos ou mesmo ajudando no dever de casa, conectado por meio de wifi a sites como Wikipedia. Ele pode ainda comandar persianas, luzes, máquina de lavar, calefação e forno. Seu funcionamento é 90% offline.

"Este é nosso primeiro produto e começaremos a comercializá-lo em setembro. Está disponível em cinco idiomas: espanhol, inglês, francês, alemão e russo."

Robô ator

No stand ao lado, um humanoide maior e mais falante. Trata-se do britânico Robothespian, definido por seu criador, Joe Wollaston, como "um robô que atua". "Thespian significa ator em inglês antigo. Ele representa mais de 10 anos de desenvolvimento e pode ser encontrado em mais de 24 anos de países em museus e centros cientificos, principalmente", explica Wollaston, diretor da Engineered Arts.

Robothespian está presente nos museus da ciência em Londres, Austrália, Espanha e Tailândia e no centro espacial da Nasa, na Flórida. "Podemos programá-lo para falar sobre o tema que for, em 36 línguas diferentes. Se um dia o guia estiver cansado para explicar sobre a civilização romana, por exemplo, nosso robô pode fazê-lo."

Robothespian está até no centro espacial da Nasa Augusto Pinheiro/RFI

Ele se move da cintura para cima e gesticula os braços ao falar, de uma maneira "quase humana", diz Wollaston. "São movimentos proporcionalmente controlados, que são muito fluidos com os braços. Permite que as pessoas se familiarizem com ele, reconheçam-no como humano e confiem no que diz. Os seu olhos se mexem para ver todos, é muito difícil ignorar algo que está olhando para você. Uma vez que ele tem a sua atenção, ele fala o seu texto e transmite bem o que está falando por causa dos seus movimentos. Muito raramente as pessoas se sentem desconfortáveis com ele. Claro que podemos ver que é um robô, mas ele se mexe de uma maneira muito bonita."

Ele também tem a capacidade de analisar os traços do interlocutor e tentar adivinhar idade e sexo e se as pessoas estão felizes, tristes, com raiva ou surpresas. "Uma vez em um museu, um grupo de 20 pessoas sorria, e ele disse: 'Não é maravilhoso ver pessoas tão sorridentes?' As pessoas veem que o robô sabe que elas estão ali."

Transportes inovadores

Meios de transporte inovadores também são destaque no evento. A reportagem da RFI deu uma volta no microônibus sem motorista, da empresa francesa Navya, no espaço exterior do centro de convenções. Esse veículo já está funcionando, além da França, em países como Austrália, Nova Zelândia, Catar, Cingapura, Japão, Estados Unidos, Canada e Áustria. A novidade é que, em julho deste ano, haverá três transportando pessoas no bairro de negócios La Défense, em Paris.

Nicolas de Crémiers, diretor de marketing da Navya, em frente ao microônibus Augusto Pinheiro/RFI

Em Lyon, no sudeste da França, ele funciona desde 2016 ligando uma parada de bonde até uma zona de escritórios e shopping centers no bairro da La Confluence. Mas a primeira cidade a usar o veículo foi Sion, na Suíça, em 2015.

"Hoje temos mais de 45 microônibus no mundo transportando 170 mil passageiros", explica Nicolas de Crémiers, diretor de marketing da empresa. "Há dois tipos de uso: nas ruas da cidade, ao lado de outros veículos, pedestres e bicicletas, como em Sion, Lyon e Perth, na Austrália. Ou em lugares privados, que podem ser indústrias, como uma central nuclear de Civeaux, na França, ou o campus de uma universidade, como em Michigan, nos EUA, além de parques de diversões e aeroportos, como em Christchurch, na Nova Zelândia."

O design foi pensado para proporcionar tranquilidade e conforto ao passageiro. "É muito fluido, proporciona uma sensação de segurança pelas grandes janelas e, ao mesmo tempo, oferece a vista do exterior para desfrutrar do trajeto."

Sea Bubble em exposição na Viva Technology Augusto Pinheiro/RFI

Outro destaque é o Sea Bubble, um "barco ecológico" que parece ter saído de um filme de ficção científica, cujas baterias utilizam energia solar e elétrica. A tecnologia é inspirada no hidróptero, o barco mais rápido do mundo.

O princípio é relativamente simples: a partir de uma certa velocidade, o barco plana a uma altura de cerca de 5 metros, graças às suas quatro asas que estabilizam o veículo e continuam mergulhadas na água. Ele tem 4 metros de altura e 2 de largura e a cabine pode transportar até 4 pessoas.

"Você tem a segurança de um carro. Esta semana fizemos ensaios técnicos com protótipos navegando no rio Sena, para ajustar a estabilidade. Este aqui na feira é o Sea Bubble definitivo, que vai estrear em setemnbro em Paris, para o público, durante duas semanas. Ela vai partir do Museu D'Orsay e fará um passeio pelo rio", explica Antoine Bluy, gerente de desenvolvimento de negócios da Sea Bubble.

Brasileiro representa a América Latina

A Viva Technology escolheu a dedo um grupo de formadores de opinião do mundo todo para cobrir o evento. O brasileiro Edney de Souza, professor universitário e especialista em marketing digital e inovação, é o único representante da América Latina. "São colunistas, blogueiros e youtubers da Austrália, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Suécia e Israel, além do Brasil. O evento queria uma cobertura multimídia, independente, menos tradicional", diz em entrevista à RFI Brasil.

Edney Souza, representa o Brasil no grupo de formadores de opinião Augusto Pinheiro/RFI

Edney, conhecido como InterNey, tem mais de 120 mil seguidores no Linkedin e no Twitter e também tem presença forte no Facebook e no Instagram. "Estou tuitando em inglês, porque me pediram, para todo mundo poder se engajar. Já no Instagram Story, escrevo em português para o público brasileiro. Estou fotografando e assistindo palestras para escrever artigos quando voltar ao Brasil. Alguns diretamente no Linkedin, outros no Adnews, no qual tenho uma coluna."

Ele achou o evento "muito interessante". "Não são apenas diferentes disciplinas juntas, mas referências cruzadas. A realidade virtual ajudando empresas B2B, que têm parceria com start ups de IOT para fazer melhorias em cidades inteligentes. Muitas inovações são práticas e atuais. Não é pesquisa para um protótipo para daqui a três, quatro anos, mas um produto pronto."

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