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Triagem incorreta do lixo é motivo de briga em boa parte dos casais franceses

Triagem incorreta do lixo é motivo de briga em boa parte dos casais franceses
 
Separação do lixo e reciclagem pode ser motivo de briga entre casais Reprodução

Uma pesquisa realizada pela empresa francesa Eco-Emballages mostrou que a reciclagem é motivo de briga dentro de casa. Isso porque 29% dos franceses apontam que o fato de o companheiro ou a companheira não fazerem a triagem correta do lixo pode acabar em bate-boca. A questão é tão crucial na França que 45% dos entrevistados acreditam que não reciclar pode atrapalhar um relacionamento e é mais grave para um casal que, por exemplo, divergências políticas.

Para a diretora de operações da Eco-Emballages, Sophie Legay, essa é uma prova de quanto a reciclagem se tornou importante na França: um em cada dois franceses espera que seu parceiro ou sua parceira tenha o mesmo engajamento em prol do meio ambiente. "Muito além de brigar com seu companheiro ou companheira, esse estudo mostra que se há discórdia entre os casais por causa da triagem do lixo, é porque pensamos que reciclar é importante para o futuro do nosso planeta. Além disso, outro dado importante deste estudo é que 86% das pessoas entrevistadas afirmam que conseguiu convencer seu parceiro ou parceira a prestar mais atenção à triagem do lixo", diz.

Segundo Sophie Legay, a separação do lixo nos lares franceses é o principal gesto em prol do meio ambiente e a segunda ação cidadã na França, ficando atrás apenas do voto. Mas, para ela, ainda há muito a evoluir. "Na França, os cidadãos fazem a triagem há 25 anos. Mas, se temos 68% das embalagens que são recicladas e 87% dos franceses que dizem que separam o lixo, apenas 44% das pessoas o fazem todos os dias. Então, não é suficiente e temos que ir além disso."

Retrocessos e evoluções na França

Ongs francesas de proteção ao meio ambiente vêm alertando para a estagnação ou até mesmo a diminuição da reciclagem no país. Laura Chatel, encarregada de defesa de ações da Ong Zero Waste France, explica que muitas pequenas empresas e comércios não fazem a separação do lixo. "Muitas vezes materiais que são recicláveis não passam pela triagem e são misturados ao lixo orgânico. Além disso, ainda hoje se produz embalagens que não são recicláveis. Por isso, é preciso mobilizar os fabricantes para que eles invistam em embalagens ecológicas", avalia.

A ambientalista também lamenta que a reutilização do lixo orgânico não aconteça. "Esse tipo de resíduo constitui um terço do lixo produzido na França, ele também poderia ser reciclado para ser utilizado na agricultura, como já é feito na Alemanha, e em algumas regiões da Itália e da Espanha", salienta.

Laura Chatel lembra, no entanto, que a questão evolui com iniciativas como as de Paris, onde a prefeitura lançou, neste ano, um projeto piloto de lixeiras exclusivas para dejetos orgânicos no 2° e 12° distrito da capital. O objetivo é expandir a iniciativa para Paris inteira no futuro. "Se essa triagem se generalizar temos certeza de que, em alguns anos, a taxa de reciclagem na capital francesa chegará a quase 50%. Esperamos que outras cidades francesas sigam o mesmo exemplo", diz.

65% das embalagens são recicladas no Brasil

O Brasil está em patamares similares aos da França em termos de reciclagem. De acordo com dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), 65% das embalagens do país são reaproveitadas. Os resíduos de alumínio tem uma taxa ainda maior de reutilização: 98%.

O grande desafio do país é evoluir na modalidade maneira como a reciclagem é feita. Atualmente, a maioria do material que pode ser reaproveitado é coletado por cooperativas de catadores, e muitas delas ainda funcionam informalmente.

Para Bicca Neto, é preciso que as prefeituras e a população se engajem de forma mais efetiva. "80% dos brasileiros sabem da importância da reciclagem, mas apenas 30% fazem a triagem do lixo. Por isso, precisamos de um grande trabalho de educação e de uma mudança de atitude. E isso envolve todo mundo: setor privado, sociedade civil e governo", conclui.


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