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França

França registra grave aumento de problemas em crianças superexpostas a tablets e smartphones

media Jornal Le Figaro desta quarta-feira (17) alerta que bebês e crianças são cada vez mais superexpostos a suportes tecnológicos na França. Reprodução Le Figaro

O jornal Le Figaro desta quarta-feira (17) faz um alerta aos pais e educadores: os bebês e crianças são cada vez mais superexpostos a suportes tecnológicos, o que vem resultando nos pequenos comportamentos similares aos do autismo. Segundo uma especialista entrevistada pelo diário, tablets e smartphones se tornaram as chupetas da nova geração.

Em todo o mundo, é comum ver crianças que não balbuciam nem mesmo as primeiras palavras, mas já manipulam tablets e celulares com a mesma habilidade de um adulto. Na França, o fenômeno não é diferente e se tornou tão normal que os pequenos educados à base de dispositivos tecnológicos já receberam até uma classificação na psicologia: são as "crianças-tela", em referência às telas de smartphones e tablets.

Entrevistada pelo diário, a médica francesa Anne-Lise Ducanda, especialista em proteção maternal e infantil, explica que os casos de "crianças-tela" se multiplicam em seu consultório. Como Sofiane, por exemplo, que ganhou seu primeiro tablet de presente quando tinha um ano e meio. O garoto é tão dependente do dispositivo que recusa comer ou dormir na ausência do "brinquedo".

Mas os pais de Sofiane começaram a se preocupar com esse comportamento nos primeiros dias de escola do menino: ele não respondia quando era chamado pela professora, estava sempre olhando para o vazio e não aceitava interagir com os coleguinhas. Para realizar qualquer atividade na sala de aula, o garoto precisava sempre de um adulto a seu lado para guiá-lo.

Casos aumentaram nos últimos anos

De acordo com a especialista, o número de casos como os de Sofiane tiveram uma guinada nos últimos anos. Em 2003, Ducanda conta que tratou 35 crianças dependentes de tecnologia na região da Essonne, sul de Paris. Mas no último ano, a médica analisou o caso de 210 pequenos. Em comum entre todos eles, sintomas como atrasos no desenvolvimento, problemas para se relacionar, se comunicar e de comportamento: muitos dos sintomas são similares ao autismo.

"Tablets e celulares se tornaram espécies de chupetas", diz a especialista, em entrevista ao jornal le Figaro. Segundo ela, os pais utilizam os dispositivos para acalmar as crianças, acreditando que estão protegidos por vídeos apropriados para a idade deles ou programas educativos. Mas esse sentimento não passa de uma ilusão.

Diante de um fenômeno que, segundo Ducanda, se tornou "de massa", ela decidiu alertar pais, educadores e profissionais da psicologia e medicina, postando no YouTube um vídeo em que explica sobre as graves consequências dessa superexposição tecnológica aos pequenos. Como resposta, a médica foi contatada por profissionais de toda a França que relataram ter detectado os mesmos problemas em seus pacientes.

Le Figaro lembra também que a recomendação do Conselho Superior do Audiovisual da França, de 2009, continua válida: "nada de ferramentas tecnológicas antes dos 3 anos de idade". Mas, em um momento em que mais de quatro a cada dez franceses possuem tablets ou smartphones, a recomendação parece ter ficado de lado. Segundo a Associação Francesa de Pediatria Ambulatória, hoje na França, 47% das crianças de menos de 3 anos de idade utilizam frequentemente telas interativas.

No entanto, de acordo com o jornal le Figaro, os especialistas prometem não abandonar a luta. Um grupo de profissionais especialistas em primeira infância se organiza atualmente para fazer um apelo ao governo francês para que uma nova campanha de prevenção sobre o problema seja realizada urgentemente.

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