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França

"Moro é um inquisidor medieval e tendencioso", diz advogado de Lula

media Geoffrey Robertson, advogado de Lula, em Paris. Patricia Moribe

Advogados integrantes da equipe de defesa de Luiz Inácio Lula da Silva estão em giro europeu para “denunciar a perseguição política e judicial que sofre o ex-presidente”, segundo Valeska Teixeira Zanin Martins, uma das principais defensoras legais do petista.

Depois de Berlim, a equipe legal de Lula chegou nesta quarta-feira (17) a Paris, onde falou sobre o caso na Fundação Jean Jaurès. Na sequência, eles seguem para Genebra.

Além de Valeska Martins, estava presente também o australiano-britânico  Geoffrey Robertson, especialista em questões de direitos humanos, mas que também já trabalhou para personalidades como Salman Rushdie, Mike Tyson, Julian Assange, além de integrandes do IRA (Exército Republicano da Irlanda) e a Human Rights Watch contra Augusto Pinochet no Reino Unido.

A inocência de Lula, a parcialidade do juiz Sérgio Moro e a perseguição sofrida pelo ex-presidente deram a tônica das apresentações dos dois advogados, em inglês com tradução consecutiva para o francês.

"Inquisidor Moro é tendencioso"

Em entrevista exclusiva para a RFI Brasil, Robertson criticou o sistema jurídico no Brasil: “É muito primitivo, data da Inquisição católica, onde o inquisidor, que faz as investigações, de repente se torna o juiz. Isso não existe na Europa, é preciso um juiz imparcial. Estamos com um caso em que o inquisidor é tendencioso. No sistema brasileiro, há esse sujeito que roda o mundo clamando lutar contra a corrupção – é o investigador que se transforma em juiz".

Para Valeska Martins, Lula é vítima de “lawfare”. Ela explica: “É a má utilização da violência das leis para atingir um determinado inimigo político. A base desse lawfare é a acusação frívola, sem materialidade. É o que acontece no caso de Lula. Ele é um homem inocente, que está tendo seus direitos humanos grosseiramente violados. Já foi provado que ele é inocente no primeiro processo. A acusação não só não prova, como nós provamos à exaustão nos laudos, que o Lula é inocente. Essa perseguição política que se dá no campo político, ela não pode prosperar nos tribunais brasileiros.”

Direitos humanos violados

A seguir, Georffrey Robertson fala sobre a importância de se levar o caso de Lula para instâncias internacionais: “No Brasil é interessante, pois os advogados se tornam juizes muito cedo, antes dos 30 anos, e fazem parte de um sindicato, uma associação própria, e que vem atacando Lula sobre isso, apoiando o juiz Moro. Então é impossível para Lula conseguir justiça no Brasil. Estão violando vários de seus direitos humanos. Colocaram escutas em seu telefone, nos dos advogados, da família. Em seguida, liberaram as gravações para a imprensa, para que o público pudesse invadir sua privacidade. Foi escandaloso. Não há como Lula ter um julgamento justo. Nós queremos que o sistema internacional de direitos humanos olhe para o Brasil e identifique essas falhas, que permitem juízes tendenciosos.”

Para o advogado, o juiz Moro é um como um inquisidor: “É alguém apaixonado por si mesmo, ele adora aparecer, já deu várias opiniões, dizendo que Lula deve ser culpado. E se conseguir provar, vai ser como realizar uma auto-profecia. Lula está sendo julgado por um homem que já o declarou culpado. Que sistema legal é esse? Como é que os brasileiros não entendem que a coisa mais fundamental da justiça é ter um juiz imparcial?"

Lula candidato para 2018?

Valeska Martins fala sobre a razão da turnê pela Europa: “Há um interesse internacional não só pelo que o Lula significa para o Brasil e para o mundo, mas por ser um precedente muito perigoso mundial. Você não pode com a má utilização da legislação e do regramento jurídico para retirá-lo da vida política e finalmente das eleições de 2018.”

A advogada confirmou que Lula tem a intenção de se candidatar em 2018, mas que ainda é prematuro. “Ele quer levar adiante seu projeto de Estado social, de orgulho do Brasil”, acrescentou a advogada. O ex-presidente tinha viagem marcada para a Europa e deveria falar de seu caso em Paris, no próximo dia 24, mas a viagem foi cancelada. Valeska Martins disse que não estava a par desse deslocamento de Lula.
 

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