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França

Posse de Macron seguiu protocolo e teve apoio popular

media Emmanuel Macron escolheu um veículo militar para fazer o trajeto pela Avenida Champs-Elysées. CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Em sua cerimônia de posse neste domingo (14), o presidente Emmanuel Macron cumpriu à risca o ritual de entrada no Palácio do Eliseu, deu mostras de que pretende impor seu estilo no cargo e ganhou apoio popular nas ruas de Paris em seu primeiro contato com os franceses logo após assumir a função suprema do Estado. 

Muitos franceses chegaram logo cedo aos arredores do Palácio do Eliseu para tentar garantir um lugar privilegiado para acompanhar a chegada do novo presidente. O forte esquema de segurança em torno de um grande perímetro estabelecido em torno da sede oficial da presidência do país exigiu paciência dos fãs e eleitores de Macron. Policiais faziam revistas completas no corpo e pertences dos curiosos.

Marie-Rose Leroy, que celebra neste domingo 88 anos, veio de Lyon com o filho para prestigiar a posse de um presidente em quem deposita muita confiança. Ela já acompanhou muitas cerimônias de transmissão do cargo máximo do país, mas fez questão de ver de perto. Sua grande preocupação é que o novo comandante do país mantenha sua disposição em reforçar os laços com a Europa. “Espero que ele nos mantenha dentro da Europa. Isso é importante, uma das coisas mais importantes”, insiste, segurando duas baguetes na mão.

Seu filho, Christian Leroy, também não se importou em acordar cedo e chegar às 8 horas da manhã para acompanhar a movimentação. “É um evento importante para cada um de nós. Estamos em um momento em que a França espera a modernidade e a reconciliação. Acredito que hoje esta seja sua mensagem. Que ele reconcilie a França e nos coloque ‘em marcha’ também”, diz em relação ao nome do movimento criado pelo ex-ministro da Economia de Hollande.

O que o faz ser otimista com Macron é sua capacidade de mobilizar apoio de diferentes correntes políticas. “Independentemente de idades, ele reúne em torno dele personalidades muito diferentes”, avalia.

Christian Leroy e a mãe, Marie-Rose, de 88 anos, vieram de Lyon para acompanhar a cerimônia de posse de Emmanuel Macron. Foto: RFI Brasil/Elcio Ramalho

“Governo equilibrado”

Houria, de origem argelina, veio com dois de seus três filhos, para ver de perto a entrada de Macron no Palácio. “Chegamos às sete horas para pegar um bom lugar. Vim para agradar meus filhos”, afirmou a dona de casa. O mais empolgado com a possibilidade de ver o novo presidente entrar pela porta da frente do Palácio era o filho Yassim, de 13 anos, que seguiu toda a campanha política. E, desde cedo, torceu pelo candidato do Em Marcha e se diz contente pela escolha dos franceses: “Gosto de sua personalidade e de sua firmeza”.

Sua irmã Celia, 16 anos, também mostrou convicção e entusiasmo atrás da barreira que separava os fãs da entrada do imponente edifício: “Vim para ver o novo presidente, para ver uma cerimônia oficial e espero que ele faça um governo equilibrado”.

Houria e os filhos Yassim e Celia, em frente ao Palácio do Eliseu. Foto: RFI Brasil/Elcio Ramalho

Das sacadas de apartamentos de frente ao palácio, vizinhos exibiam cartazes de boas-vindas ao novo inquilino do Eliseu. Macron desembarcou no horário previsto, às 10h da manhã, pelo horário de Paris, e desfilou pelo tapete vermelho sozinho, até subir as escadarias do Palácio e ser recebido de maneira visivelmente calorosa pelo socialista François Hollande.

Após o encontro reservado no escritório presidencial, que durou mais de uma hora, bem mais longo que previsto no cerimonial, Macron ouviu a proclamação dos resultados pelo presidente do Conselho Constitucional, Laurent Fabius, e assinou o documento que o instalou definitivamente no cargo.

No primeiro discurso como presidente empossado, Emmanuel Macron adotou um tom grave e firme ao lembrar seu compromisso de reconciliar o país e dar um novo dinamismo para a França e a Europa. Segundo ele, sua ação será pautada pela ambição de voltar a dar esperança e resgatar o orgulho dos franceses com sua pátria.

Enquanto Macron reafirmava seu combate aos problemas econômicos, políticos e sociais que afligem a França, seu antecessor discursava na sede do Partido Socialista.

Ele mostrou satisfação com o seu governo e apesar das dificuldades como o desemprego alto, afirmou: "Deixo esse país, a França, em um estado melhor do que a encontrei”.

Desfile na Champs-Elysées

Na sequência do protocolo de posse, Emmanuel Macron seguiu para a Champs-Elysées para acender uma chama no túmulo do soldado desconhecido. Ele decidiu fazer o trajeto em um veículo militar, antes de descer nas proximidades do Arco do Triunfo para concluir o percurso a pé.

Durante sua passagem, foi saudado por milhares de populares, que enfrentaram até chuva para acompanhar um dos momentos mais aguardados do dia. Muitos deles vieram sozinhos ou com familiares para mostrar apoio ao novo chefe de Estado.

“Espero que ele coloque em prática as reformas que são necessárias para o país. A mais urgente é a reforma trabalhista para lutar de maneira mais eficaz contra o desemprego. Muitas reformas já foram feitas sobre o custo do trabalho, mas é preciso aliviar os encargos”, diz o jurista Eric Dale.

A desempregada Valérie Colin aposta em Macron para reerguer a França e a Europa. Foto: RFI Brasil/ Elcio Ramalho

Desempregada, Valérie Colin veio com uma bandeira da Europa para saudar o novo presidente. “Ele vai fazer muito bem à França e à Europa. Seu programa é muito equilibrado. Precisamos da Europa para sermos protegidos do dumping e de outras ameaças”, disse.

Outro entusiasta das propostas de Macron é o executivo de uma empresa de serviços gerais, Eric Brechonier. “Ele foi o único que fez questão de defender a Europa e suas conquistas. Outra coisa foi seu programa de renovação do funcionamento das instituições. E também por uma postura política centrista. Por um lado, defender os franceses de um ponto de vista social, e, por outro, desenvolver as empresas para permitir que a frança diminua a taxa de desemprego”, afirmou.

Não longe dali, destoando um pouco do clima festivo, o protesto solitário do publicitário Louis Depierre. Eleitor de François Fillon, derrotado no 1° turno, ele trouxe à avenida um cartaz escrito à mão onde se lia: “A França da marcha à ré”, uma referência ao movimento Em Marcha, criado por Macron. Segundo ele, uma maneira de criticar uma escolha equivocada dos franceses.

“Não é uma mudança. É uma continuação e acho que os franceses se enganaram. Ele foi eleito com uma imagem e por trás dela, posso estar enganado, não há nada. É um vazio”, opina. “Os franceses votaram nele porque não queriam Marine Le Pen”, acrescenta.

Macron é sinônimo de esperança

Sua posição vai reforçar a França, a Europa e também a parceria entre franceses e alemães”, disse um turista alemão de passagem por Paris e que fez questão de ver o desfile pela avenida, mesmo debaixo de chuva. “Espero que ele faça muitas coisas sob o ponto de vista econômico e social, mas também em relação ao meio ambiente”, diz o jovem Mael.

Ao seu lado, a mãe, emocionada após ter visto a passagem do novo presidente, confessou: “Estou convencido por seu engajamento, seu pragmatismo e sua simplicidade e sua vontade de agir”, diz Françoise, funcionária de recursos humanos.

Eric Brechonier trouxe bandeiras da França e da Europa para celebrar a passagem de Emmanuel Macron pela avenida Champs-Elysées. Foto: RFI Brasil / Elcio Ramalho

Juliette Durand, chefe de produção de uma indústria têxtil, veio acompanhada do marido e dois filhos pequenos. Mais do que o espetáculo com a cavalaria da Guarda Republicana e carros militares, ela fez questão de ensinar desde cedo o valor de um momento forte da democracia do país.

Politicamente, veio também demonstrar apoio ao presidente recém-empossado. “Ele tem um discurso muito positivo, cheio de esperança para a juventude e para o nosso país. Isso nos dá muita energia e muita esperança. Vamos ver e esperamos que ele tenha apoio”, concluiu.
 

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