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França

Eleição legislativa vai definir governo Macron, segundo cientista político

media O cientista político Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e Caribe RFI

Emmanuel Macron é o oitavo presidente da França, eleito após vencer Marine Le Pen no segundo turno de domingo (7). Apesar de alcançar 66% dos votos, um verdadeiro perfil do governo do jovem centrista só será possível  ser delineado após as eleições legislativas de junho, segundo o cientista político Gaspard Estrada, da Sciences-Po, de Paris, que analisou a vitória de Macron, respondendo a perguntas de Maria Emília Alencar.

RFI – Gaspard Estrada, o resultado final mostra que Macron ganhou com uma margem muito maior de votos do que as previsões indicavam.

G.E. - Ao contrário do que aconteceu nos EUA e sobre o Brexit, as pesquisas de opinião acertaram no primeiro turno e na tendência do segundo. Após o debate da quarta-feira (3), havia claramente em todas as pesquisas de opinião uma dinâmica a favor de Macron. Ele saiu de um patamar de mais ou menos 59% até 63%, números cravados pelos institutos na sexta-feira, ou seja, em dois dias, ele subiu quatro pontos, quase dois por dia. A pergunta era se essa dinâmica se confirmaria ou não no domingo. E se manteve.

RFI – Em seu primeiro discurso, Macron disse que combateria as divisões que minam a França. Apesar de 66% dos votos, ele encontra um país dividido, fraturado. Em que medida você acha que ele será capaz de apaziguar essa França revoltada?

G.E. – Eu considero esse o elemento central da futura governabilidade, como fazer com que suas promessas de campanha se tornem atos de governo, em primeiro lugar, e sobretudo se tornem uma mudança na vida das pessoas. As eleições legislativas do mês de junho serão cruciais para saber se ele poderá de fato levar adiante esse projeto de mudanças.

RFI – Toda a oposição de esquerda teme mudanças liberais, como reforma no código de trabalho, um arrocho nas regras do seguro-desemprego. Podemos esperar então manifestações da oposição, lideradas pela esquerda radical, de Jean-Luc Mélenchon?

G.E. – Podemos esperar manifestações da esquerda e da direita. Temos que ver que o quadro político está mudando com muita rapidez e não sabemos como o quadro institucional vai ficar depois das eleições. O mês de junho será um mês político e só depois das legislativas saberemos como é que a França será governada nos cinco próximos anos.

RFI – Quem pode ser o próximo primeiro-ministro da França, de que tendência?

G.E. – Considero que haverá um primeiro-ministro conciliador, que possa agregar forças políticas, que saiba dialogar com os partidos, com os movimentos civis, com as forças sociais. Precisa ser então uma pessoa com bom trânsito entre todas as forças políticas republicanas. Agora, a respeito da composição do governo, acredito que neste primeiro mês haverá um governo montado durante a campanha eleitoral. Depois de junho, após a configuração de forças bem estabelecidas no Congresso, aí sim, o governo será a cara do Congresso, pois Macron precisa construir uma maioria, e desse ponto de vista, caso as eleições confirmem essa fragmentação partidária aqui na França, poderíamos então dizer que a França estaria se “abrasileirando”.

RFI – Em que medida?

G.E. - No sentido em que o presidente da República, para governar, deveria, em permanência, compor com as diferenças forças políticas.

RFI – Ter um centrão?

G.E. – Exatamente. E desse ponto de vista, estar sempre barganhando espaços e cargos para garantir a aprovação de suas pautas e interesses.

RFI – Marine Le Pen conquistou mais de 11 milhões de votos, um recorde. Isso faz dela uma grande força de oposição?

GE – Até hoje, sim. Amanhã, não sabemos. Por que eu digo isso? Em primeiro lugar, porque esse resultado não é o que ela e sua equipe esperavam. Eles achavam que iam ganhar. Eles começaram a campanha com cerca de 30% nas pesquisas e acabaram com 21%. Marine Le Pen fez uma má campanha no primeiro turno e uma péssima campanha no segundo, com um debate que exibiu as falhas do seu projeto, as incoerências do seu discurso. E essa maneira de criticar sem parar, a demagogia, fez com que a Frente Nacional perdesse votos. E o que vai acontecer com as eleições legislativas? Se a Frente Nacional não conseguir constituir, eleger uma bancada forte no congresso, não é impossível que, de fato, a direita republicana seja vista como oposição ao governo Macron e não a extrema-direita. Portanto, ela ainda tem muito chão pela frente, antes de ela ser a liderança da oposição na França.
 

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