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Analistas políticos e jornalistas da RFI debatem eleição de Macron

Analistas políticos e jornalistas da RFI debatem eleição de Macron
 
Da esq. para a direita, Gianni Carta, Maria Emilia Alencar, Elcio Ramalho e Alfredo Valladão, em debate no estúdio da RFI Brasil

No domingo (7), Emmanuel Macron foi eleito presidente da França com mais de 66% dos votos, sendo o mais jovem governante da história de uma das maiores potências do planeta. Para analisar esa eleição atípica e os desafios que aguardam o novo chefe de Estado, a editora da RFI Brasil, Maria Emilia Alencar, e o jornalista Elcio Ramalho, convidaram dois especialistas para um debate: os cientistas políticos Alfredo Valladão, da Sciences PO de Paris e cronista semanal na RFI Brasil, e Gianni Carta, que também é jornalista.

No seu discurso de vitória, Emmanuel Macron prometeu reunificar os franceses, admitindo que tem vários desafios pela frente. Mas, antes de tudo, ele prometeu reunificar o país, que saiu fraturado politicamente dessa eleição.

RFI Brasil - Professor, o senhor acha que Macron terá força para realizar essa imensa e dura tarefa?

Alfredo Valladão - Reunificar a França é uma coisa muito difícil. O que pode dar força a Macron é ter uma grande maioria em volta dele porque o que ganhou no domingo foi o otimismo contra o pessimismo. Estamos vendo isso em toda a Europa, os partidos xenófobos, de extrema-direita, estão começando a bater no teto, começando a perder um pouco de força. Machiavel dizia que o príncipe tem que ter sorte e capacidade. Capacidade ele tem, e tem muita sorte, e como a Europa está recomeçando a crescer, é possível que ele possa ter a capacidade de fazer com que a França aproveite esse crescimento. Ao mesmo tempo, como Macron é muito jovem e energético, é possível que ele possa passar algumas das reformas que propõe para a França ser de novo um país que funcione porque há varios anos que ela está meio parada. Vai depender muito das eleições legislativas, ele é o presidente mais jovem desde Napoleão Bonaparte, que não era presidente, aliás, foi imperador...

RFI Brasil - Falando em Napoleão, no livro O Príncipe, de Maquiavel... esta cerimônia de vitória do Emmanuel Macron foi vista de duas formas: ele caminhando sozinho pela Esplanada do Louvre, um momento solene unindo o passado e o presente com a pirâmide [Pirâmide do Louvre, na esplanada]; por outro lado, alguns analistas viram nessa passagem de Macron caminhando sozinho, passando por esse lugar, como um famoso presidente monárquico, para usar as palavras do Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical. Como você viu essa cerimônia de vitória?

Gianni Carta - Você sabem que ele tem um passado no teatro, ele queria ser escritor, escrever peças de teatro e atuar, esse foi o começo dele, que detestava matemática e economia. Mas ele tem esse lado teatral, por isso volto ao passado dele, no Liceu Henri IV ele fazia teatro... então, eu achei essa caminhada um pouco teatral, eu diria quase patética.

A.V. - Eu não achei tão patética assim, não, sobretudo porque ele fez essa caminhada com o Hino europeu, não foi com a Marselhesa! Desde o princípio ele disse "Eu quero fazer uma França aberta, dentro da Europa, fazendo coisas na Europa, reformando a Europa, então, isso foi muito importante.

RFI Brasil - Ao mesmo tempo, ele defende uma ideia do presidencialismo bem precisa...

A.V. - A situação está ruim na França, então... eu acho que ele é um sujeito bastante autoritário, sem nenhuma dúvida, ele quer restabelecer a autoridade do presidente da República que o Hollande deixou cair, e é possível que ele seja bastante duro nisso. O problema é que a França hoje, para fazer as reformas, vai ter que ter um sujeito com pulso, senão não vai conseguir. Ele já disse que vai governar com decretos, que vai ter vários decretos.

G.C. - Isso não deixa de ser autoritário!

A.V. -Vai ser autoritário mas, ao mesmo tempo, os decretos têm que passar no parlamento. Então, é um jogo, de ter uma presidência muito mais forte, muito mais centralizada, para fazer com que as reformas passem.

G.C. - Tem dois aspectos aí que acho muito importantes. O primeiro é saber como ele vai formar esse governo, eu não entendo muito bem como vai ser, se vai ter gente da esquerda, tipo um Valls da vida [Manuel Valls, ex-primeiro-ministro socialista de François Holllande que renunciou para concorrer às primárias], se vai ter o centrista François Bayrou, do Movimento Democrático, que fez uma aliança com ele, então eu me pergunto como vai ser, se vai ter gente de direita, que também o apoiou, e se vão ter duas etiquetas. E a segunda dúvida, que o Valladão falou, são as legislativas.

RFI Brasil - Inclusive em relação às eleições legislativas, que acontecem em 11 e 18 de junho, o Emmanuel Macron fez um apelo no domingo para os seus eleitores durante o seu discurso, em que clama a urgência de se construir a partir de hoje uma maioria verdadeira, forte, uma maioria de mudança. Um apelo forte, mas como constituir essa maioria nas legislativas se ele é um presidente que não tem etiqueta, nem de esquerda, nem de direita, existe uma estratégia a curto prazo para tentar ter o apoio de personalidades tão diferentes?

A.V. - Ninguém sabe ainda o que ele vai fazer, agora, é claro que o governo que ele nomear agora, é um governo para as legislativas. Eu tenho a impressão de que não vai ter nem Valls nem Bayrou nem nada disso, porque ele não pode se permitir hoje de trazer os velhos, quando fez toda uma campanha dizendo que iria renovar tudo. Acho que vai ter uma espécie de mistura, ele vai ter que ter um primeiro-ministro com alguma experiência para segurar um pouco a eleição e o parlamento, mas acho que vai ter muitas surpresas nesse governo. Outra coisa é que desde o início ele está dizendo que metade do seu governo vai ser de mulheres.

RFI Brasil - Há nomes que circulam, inclusive o de Christine Lagarde, diretora-presidente do FMI, pode ser que ele recorra a nomes que saiam da esfera política?

A.V. - É muito possível, mas não vejo a Lagarde como primeira-ministra, pode ser ministra da Economia. ou algo assim. Tem muita coisa que vai mudar. Uma coisa é certa, os velhos partidos estão implodindo.

G.C. - Foi uma bomba atômica. Os dois partidos, o Partido Socialista e Os Republicanos, perderam no primeiro turno, quer dizer, uma coisa inacreditável!

RFI Brasil - Na verdade, a França esteve com duas imagens completamente diferentes neste segundo turno: uma França globalizada, aberta para o mundo e para a Europa, e essa França voltada para questões mais internas de protecionismo. Essa imagem que a França dá para o mundo, com a eleição do Macron, é uma imagem positiva em um momento em que os outros países também pensam em se proteger mais dos efeitos da globalização?

G.C. - É, ele é um liberal no sentido econômico, é um ex-banqueiro, um ex-ministro da Economia, ele realmente mostrou para o mundo que a França vai continuar fazendo business com quem quiser, já vai negociar com a Angela Merkel, é o primeiro passo que ele vai fazer em nível internacional, o que é muito importante porque ele quer relançar a União Europeia, que é o que a Marine Le Pen não queria, ele quer fortalecer o euro, quer um ministro da economia comum para a União Europeia, enfim, ele tem propostas que mostram que é pró-globalização. Agora, a França está dividida em parte por causa disso, quem votou na Le Pen, votou contra a globalização também, tem muita gente que está excluída com a globalização. Então temos que ver até que ponto ele vai pensar sá nas mudanças econômicas e até que ponto ele vai pensar nas mudanças sociais.

RFI Brasil - Marine Le Pen conseguiu a maior votação já conquistada pela Frente Nacional, quase 11 milhões de votos. Ela aumentou sua base eleitoral e anunciou uma reformulação de seu partido, o seu movimento político é de fato a maior força de oposição no país, hoje?

A.V. - Vai ter, sim, um peso importante, mas não vai ter o peso que acham que vão ter. Vai ser muito difícil a Frente Nacional ter muitos deputados nas eleições legislativas. E essa ideia de mudar o nome, mudar um pouco o ADN da Frente Nacional, é uma ideia que deu certo na Itália com o Gianfranco Fini e o partido facista MSI (Movimento Social Italiano Direita Nacional), na época, só que não vejo Marine Le Pen e outras personalidades da Frente Nacional fazendo o que fez Gianfranco Fini. Ele foi para a televisão e disse "o MSI era um partido xenófobo, racista e perigoso para a democracia, por isto eu acabo com esse partido e vou fundar um outro, que seja democrático". Não vejo ninguém na Frente Nacional com capacidade para chegar na televisão dizendo isso. Essa mudança vai ser complicada, sobretudo porque tem uma briga interna no partido. O pai da Marine Le Pen já começou a criticar o principal conselheiro dela.

RFI Brasil - Gianni Carta, você acha que vai haver um racha na Frente Nacional?

G.C. - Eu acho que sim, não podemos esquecer também da sobrinha de Marine, a Marion Maréchal-Le Pen, que é muito mais agressiva nesse sentido. Ela é mais extrema-direita do que a tia!

RFI Brasil - Obrigado, Gianni Carta e Alfredo Valladão, por seus comentários sobre a eleição presidencial francesa.

 

 

 

 

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