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França

Marine Le Pen aposta em discurso antiliberal para atrair esquerda radical

media Marine Le Pen disputa eleitores da esquerda radical REUTERS/Charles Platiau

Além de estar dividida entre o centrista Emmanuel Macron e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen, a França se vê hoje em pleno debate sobre como votarão os eleitores do terceiro e quatro colocados, François Fillon e Jean-Luc Mélenchon, que obtiveram cerca de 19% dos votos, cada um, no primeiro turno das eleições presidenciais, no último domingo, 23 de abril.

 

Ao contrário do conservador Fillon, que em sua primeira declaração após o resultado da eleição já declarou voto em Macron e pediu que seus eleitores votem pelos princípios republicanos, o candidato da esquerda radical Mélenchon não se posicionou a favor de nenhum dos candidatos e abriu, em seu site, uma pesquisa para que seus eleitores possam decidir eles mesmos qual posição adotar neste segundo turno.

As opções dadas pelo site dos “insubmissos”, como se autodenominam os eleitores da extrema-esquerda, são três: voto em branco, abstenção ou voto em Macron. Apesar de não constar entre as opções dadas pelo site, a candidata Marine Le Pen disputa os votos de Mélenchon com algum sucesso, já que, para alguns, é preferível votar numa ruptura da extrema-direita que na “continuidade” de um candidato apoiado pelo sistema financeiro, como o Macron.

Luta pelos indecisos

Segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (26 de abril) pelo Instituto Elabe, 16% dos eleitores de Mélenchon estariam dispostos a votar em Marine Le Pen. Em depoimentos à France Info, eleitores adeptos desta linha de pensamento se justificam dizendo que, estrategicamente, é a única coisa a se fazer. Eles consideram mais fácil combater a Marine Le Pen no poder que Macron: "Se ela for eleita, vamos bloqueá-la nas urnas e nas ruas. Já Macron fará tudo por meio de decretos e medidas provisórias; não poderemos fazer nada", disse um motorista desempregado à emissora.

Le Pen já percebeu esta tendência entre os eleitores antissistema e utiliza isso a seu favor, repetindo reiteradamente que Macron é o candidato das oligarquias, dos banqueiros, e que ela é a candidata do povo. “Escolher a França” é o slogan da campanha de Le Pen neste segundo turno, numa referência à posição pró-União Européia de seu adversário Macron.

Macron, por sua vez, além de ter recebido declarações de voto de Fillon, de Benoît Hamon, candidato derrotado do Partido Socialista, e do atual presidente François Hollande, segue favorito para o segundo turno, com 60% das intenções de voto, contra 40% para Le Pen, segundo pesquisa divulgada hoje pela OpinionWay-Orpi. A sua margem de vantagem em relação a Marine Le Pen, porém, caiu em dois pontos, em relação à pesquisa anterior. A luta pelos indecisos é mais urgente, já que o segundo turno das presidenciais acontece no dia 7 de maio.

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