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França

“Guardemos nossa indignação viva”, diz Macron em comício superlotado em Besançon

media Emmanuel Macron durante discurso em Besançon em 11 de abril de 2017 Reuters/Robert Pratta

Nesta terça-feira (11), o candidato à presidência Emmanuel Macron, do movimento Em Marcha!, fez um grande comício no leste da França, na cidade de Besançon. A 12 dias do primeiro turno, ele atacou ferozmente seus rivais políticos e relembrou os principais pontos do seu programa de governo diante de uma sala repleta.

 

Leticia Constant, enviada especial a Besançon

Foi ao som de música techno americana que as 2.500 pessoas presentes na sala de exposições Micropolis aguardaram a chegada do candidato. Vindas de diversos departamentos da região de Franche-Comté, da qual Besançon faz parte, e também da Suíça vizinha, onde vivem muitos franceses, elas enfrentaram longas filas sob um sol escaldante para ouvir Emmanuel Macron.

Com posters do candidato, camisetas com as iniciais EM (Em Marcha!) ou Macron Presidente, abanando bandeiras da França e da União Europeia, como é comum em seus comícios pela sua posição pró-europeia, a plateia demonstrou um entusiasmo incansável durante os 53 minutos de discurso do candidato, não hesitando em gritar perguntas sobre os temas de seu interesse, do desemprego à aposentadoria, passando pela economia e meio ambiente, entre outros.

Jovens e até crianças conectados com a política

Martine acha que a França precisa de "sangue novo" lC

Macron atrai eleitores de todas as idades, dos 18 aos 81 anos, como brinca uma senhora que veio de Dijon para assistir o comício. Mas a presença em massa de meninas e rapazes muito jovens, praticamente 1/3 dos presentes, não deixa de ser impressionante, tornando-se um dado novo no cenário político francês.

Muitos ainda não têm idade para votar, com bem menos de 18 anos, mas foram ver o comício, discutindo bastante depois, em grupos, sobre a performance do carismático líder do movimento Em Marcha!

“Ele fez os jovens se interessarem novamente por política”, constata Martine, de 72 anos.

“A França estava precisando se renovar, estava precisando de caras novas, com ideias diferentes, é por isto que vou votar para ele pois não aguento mais os mesmos políticos de sempre. Os tempos mudaram e temos que acompanhar, e Macron é o único que pode realmente mudar as coisas”, ela afirma, reconhecendo que o fato dele ser jovem também atrai uma faixa etária de novos eleitores.

E sobre novos eleitores, quem “roubou a cena” na espera da abertura dos portões foi o pequeno Lucas, de 9 anos, que ao lado do amigo Nolan, de 11, deu um show de política, arrancando risos e aplausos. Ele aceitou me dar uma entrevista e respondeu às perguntas totalmente descontraído, e com uma linguagem adulta que

Lucas (esq.) e Nolan acompanham com paixão a campanha presidencial e torcem por Macron LC

surpreendeu todo mundo.

Lucas veio com a família de Morteaux, quase na fronteira com a Suíça, e começou dizendo “Adoro política e vim ver Macron no palco, fazer algumas perguntas, se der, mas principalmente saber mais sobre seu programa, o que ele quer fazer…” ele responde. Mas tem algo especial que você gostaria de perguntar a ele?, eu indago. “Sim, sim! Se ele vai dar mais empregos para as pessoas”. O amigo Nolan interfere, completando: “Queremos saber também qual é o objetivo do seu programa”.

Os dois concordam que gostam muito de Emmanuel Macron e Lucas completa que ele é seu preferido “porque é o mais inteligente”…

Para fechar com chave de ouro a entrevista com o mais jovem dos militantes, quando agradeci a ele por ter respondido minhas perguntas, ele rebateu: “Foi uma honra”!

Só me restou comentar que ele vai ser o futuro presidente da França!

O movimento Em Marcha! tem um braço chamado JAM - Les Jeunes avec Macron (Jovens com Macron), com unidades em toda o país. Eles se reúnem, debatem, participam das reflexões e são um coringa na panfletagem e explicações do programa para os eleitores indecisos. Em outras palavras, têm o papel fundamental de convencer as pessoas a votarem no seu candidato.

O comício de Macron em Besançon

Militantes do movimento Em Marcha! lotaram o anfiteatro do Micropolis LC

Depois de uma chegada triunfal, e de repetir diversas vezes que “as coisas não podem continuar como estão,” Macron ressaltou que o país precisa ultrapassar “o bipartidarismo esclerosado”.

Ele começou seu discurso atacando seus principais rivais políticos. Jean-Luc Mélenchon foi definido como “um revolucionário comunista”, François Fillon foi ironizado por se definir como Vercingetorix, um rebelde gaulês que derrotou Julio Cesar, contrariando as previsões, e “Madame Le Pen”, que incita o desrespeito ao próximo.

"Quando algo nos indigna, nos tornamos militantes, nos tornamos fortes"

Batendo na tecla da alternância, respondeu aos que criticam sua proposta de harmonizar direita e esquerda, lembrando que ‘avançamos com as duas pernas”.

O candidato falou sobre as propostas principais do seu programa como reindustrialização, luta contra a insegurança e terrorismo, mudança do regime de aposentadoria, educação, saúde e apoio aos agricultores, um tema que arrancou muitos aplausos. Para terminar, ele escolheu um tema que seus partidários admiram, a ideia de uma Europa potente e unida.

Um dos momentos mais fortes foi ao aconselhar as pessoas a não se habituarem à injustiça, aos bloqueios, às coisas que não estão funcionando bem. ‘Guardemos nossa indignação viva, a indignação útil, a nossa. A indignação é preciosa e quando algo nos indigna, nos tornamos militantes, nos tornamos fortes!”.

Assim Emmanuel Macron terminou seu comício, pedindo que nesses últimos dias, antes do primeiro turno, a mobilização atinja o seu nível máximo.

Se muitos ficaram satisfeitos com o que viram e ouviram, alguns eleitores indecisos reconheceram que não ficaram convencidos pela apresentação. "Ele promete muito, mas não sei com que meios vai cumprir o que diz", pondera uma habitante de Dijon. "Não vou votar nele", afirma um estudante que veio a um comício pela primeira vez, "acho que faltou aprofundar as propostas", concluiu.

 

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