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França

Le Monde diz que "retorno à ética fragilizou economia brasileira"

media Após caso das propinas, a Odebrecht perdeu R$ 12 bilhões em investimentos REUTERS/Guadalupe Pardo

A edição desta sexta-feira (31) do jornal vespertino Le Monde traz uma reportagem sobre como a operação Lava Jato pode ter agravado a crise econômica do Brasil, com o título "A volta da ética fragilizou a economia". O texto é assinado pela correspondente em São Paulo, Claire Gatinois.

Ela começa dizendo que a manifestação do domingo (26) contra a corrupção foi um fiasco. "Três anos depois da deflagração da operação Lava Jato, que revelou o tentacular sistema de propinas implicando colarinhos brancos e políticos na pilhagem dos caixas da Petrobras, o cansaço parece prevalecer sobre a sede por ética.
Para uma parte da população, a operação é, em grande parte, responsável pela grave crise econômica do país", escreve.

Entrevistado pelo jornal, o secretário da CUT (Central Unica dos Trabalhadores), João Cayres, diz que "a Lava Jato paralisou o país levando ao desemprego milhões de trabalhadores que eram irreprocháveis”. A correspondente ressalta que o sindicato é próximo ao PT (Partido dos Trabalhadores).

Cayres afirma que a falta de discrição dos policiais, que transformara a operação em espetáculo midiático, contribuiu para a redução do tecido industrial do país; “Não defendo os corruptos, mas, em outros lugares do mundo, condenamos os culpados, não a empresa no seu conjunto”, diz.

Para o Le Monde, "seria arriscado atribuir a queda de 9% do PIB desde 2014 e os cerca de 13 milhões de desempregados ao poder Judiciário"." O ano de 2014, quando houve as primeiras prisões, foi também o ano da desaceleração do crescimento da China, parceiro importante do Brasil, e a queda de preço de matérias-primas, sobre as quais o país havia baseado sua prosperidade", continua a reportagem.

Energia e construção

Gabriel Kohlmann, da consultoria Prospectiva, disse ao jornal que "a operação Lava Jato não foi a única responsável a mergulhar o Brasil na crise, mas afetou dois setores importantes: energia e construção, que contavam com 15% de investimentos em 2013”.

A correspondente escreve que "a descida ao inferno de grande atores econômicos, como a Petrobras e a empreiteira Odebrecht, dá uma ideia dos danos provocados". "Desde 2015, a Petrobras vendeu ativos por 12,6 bilhões de euros e demitiu 13.655 empregados por meio de um plano de demissão voluntária. Na Odebrecht, os investimentos recuaram R$ 12 bilhões desde 2014, e o tamanho da empresa foi reduzido à metade. O diretor do grupo, Marcelo Odebrecht, se encontra na prisão."

"A caça aos corruptos é louvável. Mas a lentidão e os métodos da Justiça perturbaram os negócios das empresas”, opina Nelson Marconi, economista da Fundação Getúlio Vargas. As dificuldades da Petrobras e da Odebrecht e de outras companhias, como a OAS ou a Andrade Gutierrez, afetaram empresas que dependiam das obras desses gigantes para sobreviver.

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