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François Hollande leva vida festiva antes de deixar o Eliseu

François Hollande leva vida festiva antes de deixar o Eliseu
 
O mandato do presidente francês, François Hollande, chega ao fim no próximo mês de maio. Fotomontagem: REUTERS/Christian Hartmann/ Charles Platiau/AFP

O que um homem pode fazer depois de passar 35 anos de sua vida envolvido dia e noite com batalhas políticas e ocupar o mais alto posto da vida pública, o cargo de chefe de Estado? Esta pergunta atormenta atualmente François Hollande, de 62 anos, 24° presidente da República Francesa. A menos de dois meses de deixar o Palácio do Eliseu, a revista semanal "M", do jornal Le Monde, descreve os bastidores da transição e como Hollande se prepara para o apagar das luzes.

À primeira vista, o líder socialista vai tarde. Depois de abrir mão de disputar a reeleição, desgastado por sua impopularidade, Hollande já descartou concorrer a um mandato legislativo nas eleições de junho. Avaliado como um dos piores presidentes que a França já teve, Hollande ainda intriga, principalmente os eleitores de esquerda.

Quando assumiu o cargo, no dia 15 de maio de 2012, ele contava com amplo apoio político e popular. Cinco anos mais tarde, a impressão é de que desperdiçou uma grande oportunidade. Alguns acreditam, no entanto, que Hollande terá sua ação reconhecida no futuro. O presidente tem grandes defensores, entre eles as atrizes Catherine Deneuve e Juliette Binoche, o compositor Benjamin Biolay, o fotógrafo Raymond Depardon, e a filha do ex-presidente François Mitterand (1916-1996), Mazarine Pingeot, entre outras personalidades.

Bulímico de saídas noturnas

Descrito pela revista "M" como "engraçado, inteligente, lúcido, mas impenetrável por trás de sua jovialidade de fachada", Hollande é "enigmático e surpreendente". "Um presidente fantasma num palácio deserto", segundo a publicação. Nessa fase final de mandato, ele trocou a companhia dos políticos pela de intelectuais e artistas, que sempre admirou.

"À margem de uma campanha virulenta e inédita, cadenciada por reviravoltas inacreditáveis, Hollande deve fazer o luto do poder que não conseguiu conservar", diz o texto assinado pelas jornalistas Solenn de Royer e Vanessa Schneider. Com a carga de trabalho reduzida, uma vez que ele só administra atualmente tarefas essenciais relacionadas à defesa, à segurança do país e às relações exteriores, Hollande tem mais liberdade de movimento, tempo livre, e ele aproveita.

A revista "M" conta que Hollande passa seus últimos dias de vida palaciana entregando medalhas, recebendo animados grupos da sociedade civil para almoçar — historiadores, especialistas em populismo, escritores, artistas —, "como se precisasse desesperadamente preencher um vazio que sempre foi ocupado pela política". Encerrado o expediente, ele sai todas as noites para ir ao teatro, a concertos, participar de jantares na casa de conhecidos ou em restaurantes. "Os paparazzis não se interessam mais por ele, e Hollande se diverte com uma agenda festiva", diz a revista. Quando vai ao teatro, ele sempre passa pelos camarins para cumprimentar os atores. Diante dessa avidez de rua, "M" questiona: "Como interpretar essa bulimia de saídas noturnas?".

A resposta é que "sem uma companheira oficial, e com os quatro filhos criados, esse homem parece mais sozinho do que nunca". Um amigo afirma à reportagem que depois de dedicar sua vida à política, Hollande pode ser comparado "a um drogado que atravessa uma crise de abstinência". O presidente se apoia em dois fiéis escudeiros: o secretário-geral do Palácio do Eliseu, Jean-Pierre Joyet, espécie de ministro da Casa Civil e ex-colega de turma na prestigiosa Escola Nacional de Administração (ENA), e seu secretário de Comunicação, Gaspard Gantzer.

"Segurando a corda embaixo da forca" na campanha presidencial

Quando faz comentários sobre a campanha eleitoral, é só para dizer que o nível está baixo e é preciso barrar a eleição da candidata de extrema-direita Marine Le Pen. A situação do presidente é no fundo delicada: ele se identifica com as propostas de seu ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, de centro, mas não pode abandonar o candidato designado nas primárias do Partido Socialista, Benoît Hamon. Segundo a "M", "Hollande apoia Hamon como quem segura a corda embaixo da forca".

O líder socialista já declarou várias vezes que não se arrepende de nada, considerando que "a experiência ensina, enquanto o arrependimento só traz remorso e é doloroso". O amigo Ivan Levai não vê Hollande vendendo conferências por milhares de euros, como fez o ex-presidente Nicolas Sarkozy quando perdeu a reeleição em 2012. De acordo com Levai, "Hollande não é apegado a dinheiro".

Fundação inspirada em Clinton

Mesmo diante dos amigos, Hollande se mantém discreto sobre seu futuro. No entanto, a revista informa que ele trabalha discretamente no projeto de fundação que pretende presidir quando deixar o governo. "No dia 3 de março passado, Hollande recebeu empresários, industriais e banqueiros, grandes doadores, em um almoço no Eliseu, pessoas suscetíveis de colocar a mão no bolso para ajudá-lo a criar a Fundação Hollande."

O objetivo da entidade, inspirada na Fundação Clinton, do ex-presidente americano, será perenizar e desenvolver projetos sociais de combate ao analfabetismo, ações em bairros de periferia e de ajuda ao desenvolvimento. Os estatutos já foram enviados para avaliação do Conselho de Estado e sua inauguração deve acontecer no verão.

A menos de dois meses de voltar ao cotidiano de cidadão comum, Hollande continua sendo um mistério para os franceses, observa a revista do Le Monde. Um ex-assessor o compara a um gato, "autônomo e incapturável".


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