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França

Transexuais aproveitam eleição francesa para abordar a questão de gênero

media O grupo GIGGN e seu programa com 69 propostas. Divulgação

Analistas e cientistas políticos franceses denunciam uma campanha repleta de sobressaltos, onde temas primordiais não tem encontrado o devido destaque. As suspeitas de nepotismo do candidato conservador François Fillon, a ascensão fenomenal do centrista Emmanuel Macron e a possibilidade de vitória da ultradireitista Marine Le Pen têm mergulhado a França em momentos de profundas incertezas. Nesse contexto de sinistrose, o grupo GIGGN, se lança nas eleições francesas de forma lúdica e burlesca.

TRANS APROVEITAM ELEICAO FRANCESA PARA ABORDAR A QUESTAO DO GENERO 15/03/2017 Ouvir

A jornalista francesa Brigitte Boréal foi quem reuniu, anos atrás, o grupo de transexuais que hoje compõem o GIGGN. Ao fazer seu coming out em 1998, a então cronista esportiva do jornal diário Libération decide abrir uma produtora que abordasse assuntos ligados aos transgêneros. Desde então, elas têm criado juntas espetáculos, crônicas e paródias, cujo intuito é o de provocar uma reflexão profunda e social sobre a questão de gênero. Com a campanha presidencial, nasceu o desejo de um maior engajamento.

Brigitte Boréal explica à RFI que o GIGGN adotou uma abordagem midiática pelo viés do humor. Elas se inspiraram na candidatura fictícia do humorista francês Pierre Dac em 1965 e Coluche em 1981. “Eles tiveram tanto sucesso, que em 1965 o general De Gaulle pediu a Pierre Dac que ele se retirasse da campanha. Em 1981, foi o partido socialista que pediu a Coluche que ele se retirasse da campanha”, relembra a jornalista.

Boréal se indigna com o fato de que nenhum ministro, seja ele da Educação, Juventude ou Cultura tenha tido a ideia de estabelecer um diálogo entre a comunidade transgênera e os jovens estudantes, num intuito de educar e tirar dúvidas das novas gerações.

A meta principal do grupo é atrair o interesse dos políticos, mas sobretudo do público. De acordo com a jornalista francesa, a intenção é impulsionar a evolução das mentalidades e provocar uma visibilidade maior. "A cereja do bolo seria que um produtor se interessasse e nos convidasse a intervir em programas, talk shows e programas humorísticos” sublinha Brigitte Boréal.

A ignorância gera a intolerância, diz brasileira transgênera

A brasileira Giovanna Magrini, que vive em Paris há 17 anos e faz parte do grupo desde sua origem, ressalta a importância do apoio e da aceitação dos transgêneros por parte da família e da sociedade.

“Dos 13 até os 15 anos eu passei por uma transição física muito grande, eu não aceitava o fato de viver num corpo de homem. Eu vivia numa jaula. No dia em que meu pai me deu uma surra enorme, eu entendi tudo: que a ignorância gera a intolerância, que gera a discriminação e a homofobia, o racismo e a misoginia”, afirma Magrini.

A transexual brasileira Samanta Nicacio explica que suas expectativas são “extremamente básicas”. Ela cita a necessidade de ser levada a sério pela polícia. “Eu desejo que a homofobia seja criminalizada. Que nós tenhamos o direito de entrar numa delegacia e prestar-queixas como qualquer um e que nós sejamos respeitadas como cidadãs", diz.

O GIGGN elaborou um programa com 69 propostas lúdicas, bem-humoradas e surrealistas, mas sem deixar de lado uma certa pertinência política.

Entre elas, a instauração de um “Dia nacional de inversão de papéis”, no qual o masculino viva plenamente sua feminilidade e vice-versa, a instauração de um “Ministério da Paz”, a memorização e a transmissão de uma palavra nova por dia, mas também a paridade em todos os setores da sociedade, o ensino obrigatório de gestos que “salvem”, e a luta contra a obesidade a favor de uma vida sexual mais ativa.

O lema da campanha é “nem de esquerda, nem de direita e muito menos de centro. Nem homem, nem mulher, mas um pouco dos três.”

O GIGGN pretende lançar a partir da semana que vem uma websérie sobre a campanha presidencial e suas 69 propostas.

  

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