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França

Mundo da moda celebra centenário de Balenciaga com exposições na Europa

media Dovima, em Balenciaga, no café Les Deux Magots, Paris, 1955 Richard Avedon ® The Richard Avedon Foundation

Este ano marca o centenário da abertura do primeiro ateliê de costura de Balenciaga. Para festejar o aniversário, duas grandes exposições, em Paris e em Londres, homenageiam o costureiro que, apesar de sua discrição, conquistou o respeito dos mestres do mundo da moda, de Chanel a Dior, e é fonte de inspiração até hoje.

Gabrielle Chanel liberou a mulher eliminando o espartilho, Yves Saint Laurent lhes deu o poder com o smoking e Christian Dior trouxe o sonho ao mundo do pós-guerra com seu New Look. Mas um nome vai além de todos esses bordões que povoam as páginas das revistas de moda: Cristóbal Balenciaga.

Discreto, o costureiro espanhol construiu uma carreira de quase 50 anos praticamente sem dar entrevistas. De tão misterioso, ele chegou a ser chamado pelos jornalistas de “Greta Garbo da moda”. Mesmo assim, conseguiu impor tal nível de rigor e modernidade que provocou admiração até mesmo entre seus pares.

Dior dizia que “a alta-costura é uma grande orquestra que apenas Balenciaga sabe dirigir. Nós, os outros estilistas, seguimos apenas suas indicações”. Mesmo tom do lado de Chanel, que não tinha papas na língua, e via o espanhol como “o único capaz de cortar um tecido, montar uma peça e costurá-la com suas próprias mãos. Os outros são apenas desenhistas”, alfinetava.

O mais parisiense dos espanhóis

Porém, mesmo se Balenciaga conquistou fama em Paris, sua história começou bem longe do epicentro da moda. Foi em San Sebastian, no país basco espanhol, que o jovem autodidata criou sua primeira maison de costura, em 1917. Após duas décadas de sucesso, a guerra civil o forçou a deixar a Espanha, em 1937, para se instalar na capital francesa. Rapidamente ele conquistou uma clientela de elegantes, que ia das monarcas até estrelas de cinema, como Marlène Dietrich.

A principal particularidade do costureiro era sua preocupação com a estrutura das roupas que criava. Verdadeiro arquiteto dos tecidos, ele analisou minuciosamente cada vestido, cada gola e cada manga, em busca do caimento perfeito. “Ele procurava a linha ideal, sem obstáculos”, sublima Susan Irvine no livro Cristóbal Balenciaga vu par Vogue.

A partir de 1947, ele explora seus limites em termos de proporções e volumes, principalmente com as linhas “barril”, “balão” e “túnica”. Mais tarde, no final dos anos 1960, sua busca de pureza se radicaliza e ele “apresenta uma coleção de vestidos e capas austeras, que às vezes tinham apenas uma costura”, lembra Susan Irvine.

Mas a revolução do prêt-à-porter começa a se impor e o costureiro se recusa a entrar na lógica comercial. Descontente com o que via nas ruas, ele segue fiel a seu estilo discreto e decidiu fechar sua maison em 1968, sem estardalhaço ou qualquer explicação. Sua última aparição pública foi um ano antes de sua morte, durante o funeral de Chanel, em 1971.

O preto muito mais do que uma cor

Parte desse talento pode ser admirado atualmente em Paris com a exposição “Balenciaga, l’œuvre au noir”, que acaba de abrir suas portas no Museu Bourdelle. Com 70 peças vindas do fundo Galliera e dos arquivos da maison Balenciaga, a mostra, em cartaz até 16 de julho, aposta nas peças mais emblemáticas que o costureiro criou em torno do preto, sua cor-fetiche.

Mas para o estilista, não se trata apenas de uma cor. Como o pintor Soulages, ele usa as texturas pretas para acentuar as sombras e valorizar as linhas de cada peça. “Dizem sempre que a moda de Balenciaga é austera, mas a coisa é muito mais complexa”, comenta a comissária da exposição, Véronique Belloir. “Em sua obra o preto é como a renúncia de todo ornamento, para manter apenas a essência das formas”. Além de vestidos e tailleurs que atestam essa capacidade de esculpir com tecidos, uma seleção de chapéus e joias, menos conhecidas e raramente expostas, completam o percurso, em meio às esculturas monumentais de Antoine Bourdelle.

Arquiteto da moda

Do outro lado do Canal da Mancha, os ingleses vão homenagear o aniversário no Victoria & Albert Museum com a exposição Shaping Fashion, uma das primeiras sobre a obra do costureiro no país. A mostra londrina, que abre em 27 de maio e fica em cartaz até 18 de fevereiro de 2018, apresenta uma centena de peças que atestam o aspecto revolucionário do trabalho do espanhol. Para mostrar sua influência até hoje, o evento londrino apresenta criações de Balenciaga – com um enfoque nos anos 1950 e 1960 – mas também roupas imaginadas por estilistas contemporâneos que se inspiraram na obra do espanhol.

Mas o legado do costureiro também alimenta sua própria maison, que vive uma segunda fase desde sua morte em 1972. Comprada pelo grupo Kering, que também possui grifes como Gucci e Saint Laurent, a marca foi dirigida com sucesso por Nicolas Ghesquière entre 1997 à 2012, seguido de Alexander Wang, até 2015. Desde então, a batuta está entre as mãos de Demna Gvasalia, um georgiano que tenta reinterpretar os códigos da maison. Mas seu estilo ainda divide os puristas, o que prova que nem sempre é fácil seguir os passos de um mestre.

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