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França

Sucesso de Valentina na capa da Vogue não reflete realidade dos trans no Brasil, diz Le Monde

media A modelo brasileira Valentina Sampaio é capa da revista Vogue francesa do mês de maio Facebook

A correspondente do jornal Le Monde em São Paulo repercute o sucesso da brasileira Valentina Sampaio, que está na capa da revista Vogue francesa deste mês. A jornalista constata que, apesar do barulho feito pela mídia, a história da modelo é bem distante da realidade das trans no Brasil, onde discriminação, agressões e até execuções ainda são banalizadas.

O texto datado desta segunda-feira (6) apresenta a história de Valentina Sampaio como a “encarnação de um desses contos de fadas que o Brasil tem o talento de produzir”. Le Monde relata como a modelo trans de 21 anos se tornou “o orgulho de seu país” e a “a esperança para os LGBT brasileiros”.

Para a correspondente do vespertino, o sucesso de Valentina, com direito a foto na capa de uma das revistas mais famosas do mundo, mostra “a imagem de um Brasil progressista e tolerante”. Principalmente quando a jovem relata sua infância, quando a sua singularidade teria sido bem aceita por todos, dentro e fora da família.

Porém, mesmo se os únicos percalços da jovem teriam sido o cancelamento de contratos publicitários “por causa de sua transexualidade”, a trajetória de Valentina é “raríssima”, reage Tathiane Araújo Aquino, presidente da associação Rede Transbrasil, ouvida pelo jornal francês. “A média de esperança de vida de um transexual ou de um travesti no Brasil é de 35 anos”, completa a militante, lembrando que 144 trans e travestis foram assassinados no território brasileiro em 2016.

Le Monde também lembra que “rejeitados e incompreendidos, os trans vivem à margem da sociedade e 90% entre eles se prostituem” por falta de oportunidades profissionais. O vespertino ressalta que quando não são executados ou agredidos até a morte, muitos morrem de desespero. “Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o oitavo país com maior número de suicídios de trans, com 12 mil casos registrados em 2015”, sublinha o jornal.

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