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França

"Meu último dever como presidente é evitar eleição de Le Pen", diz Hollande

media "A ameaça de vitória de Marine Le Pen existe, mas a França não vai ceder", disse François Hollande em entrevista ao jornal Le Monde. RFI

O presidente francês, François Hollande, declarou que existe a "ameaça" de uma vitória da candidata de extrema-direita Marine Le Pen na próxima eleição presidencial, em abril-maio. O líder socialista fez a advertência em uma entrevista concedida a seis jornais europeus e publicada antes de uma reunião de cúpula europeia, prevista na noite desta segunda-feira (6), em Versalhes.

"A ameaça existe, já que a extrema-direita nunca chegou tão alto em mais de 30 anos", disse Hollande, antes de completar, "mas a França não cederá". Segundo o chefe de Estado, os franceses têm consciência de que a votação de 23 de abril e de 7 de maio poderá determinar não apenas o futuro da França, mas de toda a União Europeia.

"Se por acaso a candidata da Frente Nacional vencer, ela vai iniciar imediatamente um processo de saída da zona do euro, e inclusive da União Europeia", afirmou. Além disso, irá se isolar do resto do mundo e criar, segundo ele, "todos os tipos de barreiras e fronteiras". "É o objetivo de todos os populistas: abandonar a Europa, fechar-se ao mundo e imaginar um futuro cercado de barreiras e fronteiras vigiadas por torres", declarou Hollande, em referência ao presidente americano, Donald Trump. "Meu último dever como presidente é fazer de tudo para que a França não seja convencida por esse projeto", enfatizou.

"Influência russa na eleição francesa deve ser combatida"

Hollande questionou a Rússia, que "utiliza todos os meios para influenciar a opinião pública". "Os movimentos de extrema-direita estão mais ou menos ligados a Moscou, e é preciso desmascarar essas operações, dizer claramente quem financia quem, além da Frente Nacional francesa", disse. "Não se trata da mesma ideologia dos tempos da União Soviética, mas os métodos continuam os mesmos, com o acréscimo da tecnologia", argumentou o líder francês, em alusão ao hackeamento dos computadores do Partido Democrata, que favoreceu a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Na entrevista, Hollande nota que a estratégia de influência da Rússia nas redes sociais propaga teses "muito conservadoras em assuntos de comportamento e sociedade". Ele citou como exemplo a defesa do cristianismo em relação aos valores do Islã. "Não vamos exagerar, mas é melhor ficarmos vigilantes", disse o chefe de Estado.

Ao comentar a cúpula europeia que vai reunir esta noite em Versalhes os líderes da França, Alemanha, Itália e Espanha, Hollande disse que a alternativa para garantir a sobrevivência da União Europeia é aceitar a existência de grupos de países diferenciados. "No futuro, haverá um pacto comum e um mercado interno, mas com uma moeda única apenas em certos países", explicou. "Os estados membros que desejarem, poderão ir mais longe na área da defesa, na harmonização fiscal ou social, na pesquisa ou na cultura. Mas devemos imaginar graus de integração diferenciados", completou Hollande.

Analistas estimam que a reunião de hoje em Versalhes é apenas o início dos debates sobre a redação de um novo tratado europeu, já que qualquer iniciativa maior terá de aguardar o resultado das eleições legislativas na Alemanha, em setembro de 2017.

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